Mandando BITaites sobre a Nintendo.

N-Portugal

Mandando BITaites sobre a Nintendo.

Sega Superstar Tennis

Bruno 2 de Abril de 2008

Sega Superstar Tennis

A Sega preenche os primeiros meses do ano com apostas nas suas principais mascotes como pretexto para novas entradas no actual catálogo geral de videojogos. Sonic, amigos e inimigos já praticam modalidades olímpicas, voltaram a pegar nas suas pranchas para uma competição de velocidade e, depois de já terem experimentado as raquetes do ténis de mesa, passam agora para os courts da modalidade principal.

Ä primeira vista, Sega Superstars Tennis insinua-se como um título que assenta na matriz jogável de Virtua Tennis e que lhe adiciona elementos surreais, baseados nos distintos universos dos vários personagens da companhia, desde os cenários até aos movimentos especiais. É inevitável pensar que o conceito do jogo vai retirar ideias a Mario Tennis, apesar das semelhanças não serem assim tantas. A versão em análise foi a única a ser comprimida para um formato portátil e, apesar de, na sua génese, manter a mesma estrutura, apresenta algumas divergências em relação às versões para as consolas domésticas. A questão que se impõe: consegue Sega Superstars Tennis manter o mesmo nível de simplicidade e vício de Virtua Tennis e adicionar com sucesso todo o fan service criado para o jogo?

Como é um título que vive da popularidade de algumas mascotes, a Sumo Digital teria que apostar fortemente na componente gráfica. A imagem tem um papel tão relevante como o sistema de controlo, neste caso. Serão os personagens a vender o jogo, envolto numa grande campanha de marketing que já deu resultados com Mario & Sonic. Como tal, os cenários têm que ser apelativos e as mascotes devem apresentar-se na sua melhor forma física. O desporto o exige, assim como as fotos para imprensa e consumidor verem. Como foi escrito aquando das primeiras impressões do jogo, a versão DS é inevitavelmente o parente pobre de Superstars Tennis. Mas, apesar de todas as limitações, os cenários foram bem reconstruídos e o 3D dos personagens é sólido, tendo em conta os padrões de qualidade da portátil da Nintendo. A grande maioria dos elementos dos courts são pré-renderizados e são poucos os objectos em três dimensões. Podem até estar menos animados, mas mantêm-se muito coloridos e com um aspecto polido. As mascotes pecam pelo tamanho diminuto (os constrangimentos passam pelas dimensões do ecrã, que poderia ter sido melhor aproveitado) e pela total ausência de expressões faciais, o que é desagradável sempre que Sonic verbaliza a sua impaciência ou que Nights apregoa possuir a ideya da coragem.

Como já foi referido, o sistema de controlo tem como base o de Virtua Tennis. No entanto, quase toda a estratégia foi reduzida a dois botões, A e B, para além do direccional. Continuam a ser possíveis todos os movimentos presentes na série de ténis da Sega, mas alguns deles ocorrem apenas quando o botão é pressionado dentro de um determinado timing. O objectivo será, provavelmente, tornar este título mais acessível a todo o tipo de público. Mas a estratégia de jogo acaba por sofrer com a opção tomada pela produtora. Virtua Tennis provou que consegue oferecer alguma complexidade e continuar a ser acessível. Se a Sumo Digital se mantivesse fiel a esse esquema de botões e funções, a maioria dos jogadores agradeceria. Para criar desequilíbrios e aumentar assim a emoção e intensidade no jogo, foram introduzidas transformações. Cada personagem possui a capacidade de alterar da sua condição normal para o estado superstar, que lhe garante, teoricamente, uma vantagem em relação ao adversário. Para tal, terá que acumular pontos-estrela, que se obtêm de cada vez que envia a bola para o lado do campo adversário. Quando o medidor (em forma de estrela, que está na base de cada personagem) atinge o limite, premir um dos gatilhos laterais da DS é o suficiente para se atingir o tal estado superstar. Durante o limitadíssimo tempo em que o jogador dispõe da mutação, o personagem adquire um movimento especial que consiste no envio da bola com uma trajectória aparentemente imprevisível. Todas as mascotes possuem o mesmo tipo de movimento e apenas varia a coreografia adoptada pela bola em campo. O problema é que o destino da bola acaba quase sempre por ser denunciado pelo sistema do jogo que, tal como Virtua Tennis, permite preparar o movimento da raqueta para receber a bola. Com isto, torna-se extremamente fácil defender cada um desses ataques. A ideia necessita de ser desenvolvida, caso exista uma continuação para Sega Superstars Tennis.

Uma segunda forma de jogar foi desenvolvida para esta versão, de forma a aproveitar as funções tácteis do ecrã inferior da consola. Todos os movimentos são executados através de estilete, com excepção da transformação de cada personagem, que continua a ficar a cargo dos gatilhos L e R. Esta opção deve ter sido encarada pela equipa de produção como uma alternativa ao modo principal, até porque não está disponível por defeito. E ainda bem que assim foi, porque jogar com o stylus é para esquecer, mesmo depois de algum tempo perdido nos treinos.

Com oito desportistas disponíveis desde o princípio, é possível iniciar carreira com Sonic, Tails, Dr. Eggman, Amigo, AiAi, NiGHTS, Beat e Uala. Existem mais oito personagens que podem ser desbloqueados, desde que cumpridos alguns requisitos, como vencer todas as taças do modo torneio, em singles e em doubles, ou acumular um determinado número de pontos. Para além do modo de torneio, o single player inclui uma vasta compilação de minijogos. Subdivididos em oito diferentes temas, cada um destes representa o universo de uma série de sucesso da Sega. Esperem encontrar uma fusão entre o ténis e o gameplay de cada uma dos franchises representados. Nos mini-jogos de House of the Dead, há que exterminar zombies com bolas e sobreviver aos ataques destes. Nos de Puyo Pop joga-se ao popular puzzle, mas as peças eliminam-se com cada jogada de ténis. Os que são inspirados em Space Harrier estão impregnados de acção e controlam-se de forma similar ao clássico dos salões de jogos. Existem mini-jogos muito bem conseguidos e que fazem todo o sentido numa consola portátil. No entanto, também lá estão os menos inspirados, como os de Sonic the Edgehog, onde o objectivo é recolher anéis e evitar minas e bombas, ou os de Super Monkey Ball, que conseguiram reproduzir parte da frustração do jogo original para este complemento às partidas de ténis.

O maior ponto fraco do jogo reside no multijogador, componente fundamental num jogo de desporto. A versão DS não permite partidas online, algo que também acontece com as versões Wii e PS2. Se numa consola de sala esta decisão afecta menos o consumidor, já que é possível competir contra outros jogadores, haja um pad para cada um, numa consola portátil a realidade é quase sempre distinta. São poucas as pessoas que possuem mais do que uma DS na família. Jogar com um irmão, com um vizinho ou com o pai requer uma segunda consola, que não está ao alcance de todos. Num sistema que oferece já vários jogos que retiram partido de funcionalidades online, exige-se muito mais a um título como este. E mesmo para quem consiga reunir de duas a quatro consolas, será necessário um cartucho do jogo por cada uma, para que se sejam seleccionáveis vários personagens e courts. O jogo permite multijogador local com apenas um cartucho, mas o personagem será sempre o Sonic, para todos os jogadores, e o campo será sempre o inspirado em Green Hill Zone.

Esta decisão de excluir as partidas online acaba por comprometer não apenas o factor diversão do jogo como também a sua longevidade. Neste caso, qualquer jogador que não disponha de um amigo com outra DS e com mais um cartucho do jogo, terá apenas motivação para jogar até ao momento em que termina todos os torneios e minijogos e desbloqueia todos os personagens, courts e modos de jogo secundários. Falta ainda um torneio mais longo, ao estilo do World Tour de, mais uma vez, Virtua Tennis. Cada competição dura apenas uns dez minutos. Um torneio maior e menos linear, com opção para gravar o progresso do jogador, seria uma excelente adição.

No campo sonoro, os mais nostálgicos vão encontrar alguns dos principais temas dos tempos de glória da Sega. O destaque vai para músicas como a de Jet Set Radio ou Samba de Amigo. Pena que a versão DS tenha sido a única a ter direito a apenas um tema por court, quando as restantes versões dispõe de quatro pistas sonoras por cada. Os temas de NiGHTS, por exemplo, poderiam ter sido mais explorados. As vozes dos personagens são idênticas às utilizadas em outros jogos. Sabe-se que dar voz aos personagens não é propriamente o forte da Sega, mas o mais estranho é verificar a total ausência de expressões faciais, quando uma mascote desafia o adversário ou lamenta uma derrota, como já foi referido no campo do grafismo. Essas manifestações vocais são bastante repetitivas e alguns grunhidos animalescos chegam mesmo a ser irritantes.

Sega Superstars Tennis poderia facilmente ter-se tornado uma referência no catálogo da DS, até porque não existem títulos de excelência na área de desporto para a consola. O jogo possui bons gráficos, um bom e variado leque de personagens e courts, alguns deles carismáticos, e os minijogos conseguem ser originais e divertidos, ao contrário do que é usual em muitos títulos que os tentam implementar a todo o custo. Porém, apesar de competente, o sistema de controlo poderia ser um pouco mais complexo. O ténis acaba por ser demasiado simplificado e o jogo raramente é desafiante. Em muitos momentos será mais a vontade de desbloquear qualquer coisa do que desfrutar de uma partida de ténis. Lamenta-se também a inutilidade dos movimentos superstar e a ausência da maioria das composições sonoras presentes nas outras versões do jogo. O grande senão reside, porém, num multijogador local muito incompleto, quando utilizado apenas um cartucho e, principalmente, na ausência de um modo online, que limitam, sublinho, a longevidade e diversão num jogo que seria, à partida, ideal para ser disputado em grupos. Quem procura uma experiência menos solitária com Sega Superstars Tennis deverá recorrer a uma das outras versões do jogo. Quem não dispõe dessa possibilidade e ainda assim tem vontade de jogar ténis com as mascotes da Sega, sempre sai desta análise consciente das limitações de uma série com muito potencial.

Artigos Relacionados:

Comentar?

Vídeo

Nintendo Media Summit 2010 – vídeo-reportagem »

Login

N-Portugal, anteriormente RNintendo, é uma comunidade portuguesa dedicada à Nintendo, com notícias, análises de jogos, um Fórum de discussão e até leilões.