A Nintendo Wii já está há mais de um ano no mercado, mas sempre revelou escassez de jogos que interessem ao público mais hardcore. O exemplo disso é a falta de shooters, que continua a ser um género pouco aproveitado na Wii e pode tirar partido das grandes funcionalidades do Wii Remote e Nunchuk. Numa consola mais dedicada ao público casual, a Electronic Arts decidiu arriscar e, com base na versão para a PSP da Sony, trouxe até à consola da Nintendo o título Medal of Honor: Heroes 2, que se assume como uma sequela ao primeiro da série Heroes, lançado anteriormente, somente, na PSP. O que é certo é que este momento arriscado acabou por se sair bem nos pontos-chave de um first-person shooter como Heroes 2.

Inevitavelmente, todo o jogador que é, realmente, jogador tem de conhecer a série Medal of Honor. Afinal, é uma das séries mais populares mundialmente, tendo dado origem a diversos jogos e grandes momentos a diversas plataformas. Agora, com Medal of Honor: Heroes 2, a premissa assumida é completamente diferente, mesmo estando integralmente relacionada com a Segunda Guerra Mundial. Desta vez, o tenente John Berg é o soldado que vamos controlar durante o desenrolar de todos os acontecimentos, baseados na batalha de Cherbourg, uma parte do capítulo real da batalha da Normandia. Como é óbvio, todos os objectivos centram-se em aniquilar inimigos, tanques, barcos e usar uma imensidão de armas, tanto as mais fracas como as pesadas capazes de destruir tanques e afins. Mais especificamente, o arsenal de armas disponíveis é o já habitual da série Medal of Honor, com a Thompson submachine gun, a MP40, a M1911, a M1 Garand e a M1918 Browning Automatic Rifle. Tudo no intuito de ajudar a tornar a acção decorrente frenética como acontece em vários pontos do jogo.
Tecnicamente, o grafismo de Medal of Honor: Heroes 2 não é muito mais do que uma passagem, sem quaisquer melhoramentos, da versão para a portátil da Sony para a Nintendo Wii, ficando as texturas, modelos de personagens e quase todo o tipo de efeitos (luz, água, etc) a perder bastante para uma consola com este potencial, mesmo que limitado face à concorrência. Apesar disto, há que reconhecer que as explosões e respectivos efeitos foram muito bem detalhados e trabalhados, dando toda uma sensação de guerra fantástica para o mimo da gigante de Quioto. Ainda no pior da estética, Heroes 2 peca pelos imensos erros técnicos e animações pouco realistas e pouco trabalhadas. No ponto das animações parece que o tempo perdido foi mínimo, estando demasiado simples para um jogo que, nos restantes atributos, se destaca de tudo o que foi feito até hoje para a Wii – no campo dos shooters, claro.

Ainda no campo do bom está o som e respectiva banda sonora, como sempre direccionada para os tempos da Segunda Guerra Mundial, com os típicos gritos de guerra quando se lança uma granada ou são feitos assaltos. Apesar das limitações da consola da Nintendo, o som está muito bem apresentado, podendo-se facilmente admitir que esta é uma das componentes mais bem produzidas do jogo, com sons de armas retratados fielmente e baseados na realidade, sem esquecer as explosões que, quando acontecem, dão-nos uma sensação de imersão bastante real.
O auge de Medal of Honor: Heroes 2, depois de analisado o grafismo e a componente sonora, é mesmo a jogabilidade que usa e abusa do Nunchuk e Wii Remote como nunca. Facilmente se pode dizer que Heroes 2 é o jogo para a Wii que usa mais eficientemente os sensores de ambos os comandos, revelando bastante perícia da produtora ao conseguir criar uma experiência muito imersiva, a este nível, conjugada com um uso nunca antes visto das capacidades do controlador da Wii.
Concluindo, Medal of Honor: Heroes 2 é, sem menor dúvida, o melhor first-person shooter existente no mercado para a Nintendo Wii. Apesar do detalhe gráfico deixar muito a desejar, a componente sonora e a jogabilidade atingem uma qualidade incrível para a plataforma em questão. Foi uma passagem da versão da PSP para a Wii muito bem elaborada e que merece ser levada a sério pelos jogadores mais hardcore que possuem a consola da marca japonesa. Convém também frisar que a longevidade peca em muito devido ao modo principal ser bastante curto, havendo simplesmente alternativas com o modo Multiplayer (local e online) e Arcade, pensado para o uso do Wii Zapper, que, infelizmente, podem fartar rapidamente.
A levar em séria consideração, não esquecendo o preço praticado com Medal of Honor: Heroes 2 para a Nintendo Wii em algumas lojas. 24,99 euros, mais concretamente.Tiago Cunha
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