Ao jogar-se Alone in the Dark, o jogador apercebe-se que está rodeado de problemas, que fazem o mesmo amedrontar-se – quer pelas horríveis criaturas e tudo ao que a elas se associam, quer devido aos próprios erros e bugs deste jogo. Alone in the Dark certamente tinha hype a mais no seu rasto, mas esta análise vai-vos mostrar que esse hype, deixado pelo estupendo senhor Edward Carnby, foi parcialmente em vão.
O jogo começa com Carnby a acordar de um desmaio. Como em, por exemplo, Second Sight, começamos a jogar com a nossa personagem num estado de amnésia. Não sabe quem é, de onde veio… mas há algo que Edward sabe: está a ser controlado por um homem bastante perigoso, do qual se desconhece a identidade. Depois de nos orientarmos um pouco à medida que nos vamos aventurando, com os controlos de disparo e de ataques físicos destinados ao Wii remote e movimentos relegados para o analógico do Nunchuk, temos de nos precaver dos ataques dos zombies que, como devem supor, não estão à nossa disposição para nos ajudar, tal como as aranhas, bichos e criaturas amedrontadoras, cujos inimigos saíram da terra, sem nenhuma razão aparente, neste parque: o célebre Central Park, em Nova Iorque.
A aventura para ajudar Edward Carnby a descobrir quem é vai demorar bastante tempo, e, entretanto, tentamos desbravar os caminhos correctos. Já descreveram esta nova aventura como sendo uma telenova brasileira, demorando o jogador uma vastidão de episódios para descobrir a verdadeira história por detrás deste novo título da saga Alone in the Dark.
Graficamente é simples de descrever este jogo: Alone in the Dark peca bastante em termos de grafismo. Sim, apesar de todos sabermos que a consola da Nintendo não é a melhor máquina para correr bons gráficos, a verdade é que a mesma é capaz de puxar mais por si mesma, mas parece que a Hydravision Entertainment (produtora que ficou responsável pelas versões da Wii e da Playstation 2) não se preocupou muito com tal. As personagens e demónios não estão bem representados e renderizados. Se um casamento ocorresse neste jogo, certamente seria entre o grafismo das personagens e dos cenários pois, para além destes últimos serem bastante escuros e cheios de tristeza, o modelo de Edward Carnby não ajuda em nada. Para piorar a situação um pouco mais temos uma c¢mara por vezes irritante, porque sentimos os movimentos um pouco presos sem podermos fazer o que realmente queremos, mas, por outro lado, faz lembrar um pouco Super Mario Galaxy, porque podemos acompanhar de uma forma competente os passos do nosso protagonista. Em suma: caras coladas em cabeças, ambientes sem carisma nem texturas minimamente bem representadas. Sim, este jogo é capaz de ser um dos piores jogos para a Wii em termos de grafismo.
Falando agora dos controlos que temos neste título, Alone in the Dark parece que foi demasiado puxado para ter uns bons controlos. A jogabilidade, apesar de parecer ser boa a partir do manual, também não é das melhores na consola. Neste jogo vamos morrer bastante graças a este aspecto, pois ainda vamos demorar um pouco para compreendermos o que era realmente para fazer em dado momento. Mas esta jogabilidade não é má de todo, por diversas razões. Primeiramente, temos o facto de podermos interagir com os objectos apresentados no decurso da aventura – que, no entanto, pode revelar-se irritante, pois os botões que aparecem por cima dos mesmos – e que nos permitem agarrá-los, aparecem muitas vezes numa zona impossível de ver a partir do nosso ecrã, o que resulta, por exemplo, no aparecimento de objectos em que podemos pegar sem sabermos. É possível utilizar bastantes objectos para conseguir eliminar inimigos e passar certas partes do jogo. Por exemplo, fazer fogo com um isqueiro e um desodorizante e, de seguida, pegar num extintor para apagar o fogo.
Continuando a jogar e a enfrentar situações de combate, podemos utilizar objectos como arma, devido a termos munições limitadas. Mas e se não conseguirmos matar o inimigo? Fácil: fujam! Acreditem, costuma resultar. E se formos atacados? Igualmente fácil: há forma de recuperarem a vida. E como sabemos quando estamos a perder vida, se não há barra da mesma? Basta verem o sangue que estão a perder. Pena é haver save points muito afastados uns dos outros, o que chateia quando morremos, e somos obrigados a voltar muito atrás.
Diferentes locais, diferentes formas de jogabilidade, plataformas, primeira pessoa em situações de tiroteio, terceira pessoa em situações de combate, resolução de puzzles, situações de condução – por vezes frustrantes, pois parece que estamos a conduzir uma folha de papel, o que vai fazer com que facilmente morram na estrada. Isto faz-nos pensar que Alone in the Dark é um jogo bipolar. Tanto tem facetas más, como tem facetas boas.
E, mais uma vez, a deficiência que referi acima vem mais uma vez ao de cima. A música deste jogo é bastante boa. É assustadora, intensa, e adequa-se bastante ao jogo. É uma pena que este jogo, no geral, não acompanhe a sua banda sonora. No entanto, os efeitos sonoros são maus. Enquanto algumas transmitem medo, outras não. Já os diálogos estão razoáveis. Quem fala, fá-lo com convicção. Apesar disso ouvem-se bastantes palavrões – não aquelas palavras que não conhecemos e são grandes, mas as que constam do calão.
Alone in the Dark também não prima pela longevidade. É um jogo razoável a nível de longevidade mas, quando lhe apanhamos o jeito, é fácil de passa. Passar por vários locais de Central Park vai deixar os que acham que são capazes de apreciar este jogo entretidos durante algumas horas.
Hype perdido para alguns, este jogo apenas vai agradar aqueles que quando lerem esta análise e virem os vídeos relativos ao jogo o achem capaz de satisfazer as suas necessidades como jogador. Gráficos com alguns erros mas razoáveis, que podem agradar os que menos se preocupam com a aparência física; jogabilidade que parece ter duas faces, pois tem pontos bons e pontos maus; som razoável, com boa música, diálogos razoáveis, maus efeitos sonoros; longevidade que não é ao todo grande mas que pode satisfazer alguns, em especial aqueles que não gostam de passar muito tempo agarrados ao mesmo jogo. Avaliem o jogo e decidam.
Daniel Duque
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