Normalmente quando o nome Rockstar Games está à baila, a temática da violência acompanha-o. É este um dos ingredientes principais desta produtora polémica pertencente à Take-Two Interactive. Prova disso é o seu maior sucesso, Grand Theft Auto IV que, por entre as vendas, também deu lugar a muita polémica, com o já conhecido advogado Jack Thompson metido ao barulho, claro. Mas não é a acção urbana que está em causa, pois um dos últimos lançamentos da Rockstar Games é mesmo uma reedição para a Nintendo Wii de um jogo com um ambiente mais juvenil que saiu originalmente para a PlayStation 2, na Europa, com o nome Canis Canem Edit. Bully: Scholarship Edition, mais concretamente, é o nome desta então reedição que traz consigo alguns conteúdos adicionais, como ,fazeres extra.
O enredo deste título inicia-se de uma forma simplória e, ao mesmo tempo, agressiva, como é hábito da adorada produtora. Jimmy Hopkins, o protagonista, é o rebelde ao qual vamos tomar controlo no colégio Bullworth, conhecido pelo seu clima problemático. Mas antes disso, somos presenteados com uma discussão entre Jimmy e os seus pais. Enquanto estes discutem, torna-se claro que o seu objectivo é colocar Jimmy num colégio, pois os já existentes no país não o aceitam. Incrivelmente, só Bullworth podia admitir este jovem rebelde, rebelde ao ponto do director deste colégio, Crabblesnitch, referir que Jimmy é o rapaz mais maldoso que alguma vez já viu, não deixando de citar os actos v¢ndalos, impróprios e violentos que este realizou em outras escolas pelas quais passou.
Ainda sem quaisquer conhecimentos, Jimmy Hopkins sente-se um estranho e vai entrar nos seus primeiros momentos de agressividade, propondo ao jogador um tutorial de iniciação para podermos controlar o nosso personagem competentemente. Depois disso, reparamos que Bullworth possui algumas semelhanças, em certos aspectos, com GTA, como professores corruptos, no caso do GTA seriam polícias -, e estudantes que pretendem dominar a escola, tal como os mafiosos pretendem dominar cidades de GTA. Concluídas as nossas lições de aprendizagem, e dominando os controlos e a mec¢nica apresentada, vamos então ser iniciados ao ,crime escolar. Vandalizar cacifos de outros estudantes, entrar em confusões, humilhar estudantes mais ingénuos, são exemplos de algumas acções que podem ser realizadas em Bullworth, não esquecendo as aulas às diversas disciplinas que nos vão ajudar a fazer a necessária progressão no jogo.
Bully: Scholarship Edition, apresenta-nos melhorias gráficas pouco óbvias, numa comparação directa com a versão para a PlayStation 2. Tirando alguns modelos de personagens melhorados e umas texturas com qualidade um pouco superior, tudo nos parece igual. Em outras palavras, pouco foi aperfeiçoado na versão do jogo para a Wii. O aspecto estético do jogo dá mesmo uma ideia de ,geração passada, com algo mais que notamos que podia ser feito, não esquecendo os problemas de frame-rate, que provocam instabilidade no decorrer da nossa aventura.
Apesar de o aspecto visual ser algo negativo em Bully: Scholarship Edition, o mesmo não podemos dizer da componente sonora. Existem diversos momentos de humor nos diálogos dos nossos personagens, assim como a banda sonora, toda ela constituída por música não licenciada, que está bastante competente no que toca ao ambiente necessário de transmitir ao jogador para que a experiência seja mais imersiva e divertida. Em algumas palavras, o som de Bully é dos elementos melhor produzidos desta aventura única e diferente de tudo o resto existente na Nintendo Wii.
Infelizmente, Jimmy Hopkins parece ter ficado um pouco impreciso na sua passagem da PlayStation 2 para a Nintendo Wii, isto tocando no assunto chave que são os controlos num jogo de área aberta como Bully. Essa imprecisão vem mesmo da jogabilidade, em certos mini-jogos, quando é necessário o uso do Nunchuk. Ainda assim, a forma simples e intuitiva no uso do Wii Remote é um dos pontos fortes deste jogo. No geral, pode-se considerar a jogabilidade competente, principalmente depois da necessária fase de habituação que se resume numa melhor precisão e habituação no controlo de Jimmy.
Em jeito de conclusão, Bully: Scholarship Edition presenteia-nos com algo completamente destacado do que é habitual vermos no leque de jogos da consola da Nintendo. Se Bully foi por muitos considerado um dos melhores jogos da PlayStation 2, podíamos ter visto também um grande título na consola da Nintendo – não fosse a provável preguiça da Rockstar Games. Mesmo assim, existe muito para explorar em Bullworth, com missões secundárias que vão ocupar o tempo daqueles que gostam de terminar os seus jogos completamente, deixando, em simult¢neo, o jogador normal bem servido com umas cerca de vinte horas intensas, conjugadas com algum sentimento de monotonia que poderá diferir de jogador para jogador.
Tiago Cunha
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