Mandando BITaites sobre a Nintendo.

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Mandando BITaites sobre a Nintendo.

Cooking Mama

Rodrigo Dias 27 de Agosto de 2008

Pontuação:★★★☆☆

Cooking Mama

As novas consolas da Nintendo, DS e Wii, vieram dar uma lufada de ar fresco à indústria ao permitir a exploração de conceitos pouco ou nunca antes experimentados nos videojogos: desde simuladores de cirurgias (como Trauma Center), jogos que nos encorajam a fazer exercício (como Wii Sports, Wii Fit…) até aventuras gráficas que nos obrigam a anotar pistas num bloco de notas virtual ou soprar para o microfone de forma a afugentar o pó acumulado num móvel (como Another Code, Hotel Dusk…) esta nova geração viu um pouco de tudo, e as ,massas gostaram do resultado. E é curiosamente a análise a um jogo sobre ,massas (e arroz, batatas, carne, peixe e mais de 300 ingredientes…) que aqui vai ser confeccionada. Originalmente um título para a portátil da Nintendo, Cooking Mama, inovador simulador de culinária, encontrou uma nova cozinha na Wii. Mas terá sido a transição bem sucedida, ou será que o caldo entornou?

Neste jogo da Office Create, e tal como no original, encarnamos o papel de aprendiz de cozinheiro(a) sob as instruções de uma simpática senhora chamada Mama. O objectivo passa por preparar, passo-a-passo, 55 iguarias (entre as quais se encontram ratatouille, lasanha, sushi e paelha, só para nomear alguns exemplos) de 10 países (França, Itália, Espanha, Reino Unido, Rússia, China, Japão, Estanos Unidos, Alemanha e çndia). Cada passo de uma receita é um mini-jogo que deve ser ultrapassado rápida e eficazmente, de modo a arrecadar uma medalha de ouro e a melhor pontuação possível. Se o conceito vos parece simples, é porque de facto o é. Complexidade, aliás, é uma palavra praticamente inexistente no vocabulário de Cooking Mama, algo compreensível dado ser um produto destinado a um público mais casual. No entanto, a falta de complexidade não implica, neste caso, escassez de desafio ou diversão, longe disso. De facto, estes dois aspectos andam quase sempre de mãos dadas com o título em causa.

Os mini-jogos a completar variam muito em grau de dificuldade, havendo assim passos fáceis (como picar ingredientes), difíceis (praticamente todos os que nos obrigam a evitar que os ingredientes na frigideira queimem) e outros em que é literalmente impossível perder (aqueles em que apenas temos de decorar um prato). Tal como na DS, em que o touch-screen é muito bem aproveitado, nesta versão para a consola caseira da Nintendo a maioria dos mini-jogos faz um óptimo uso do Wiimote: é comum darmo-nos conta de estarmos a rir enquanto picamos ingredientes agitando o comando com este apontado ao ecrã, como se estivéssemos a segurar uma faca, ou enquanto estamos a espalhar manteiga numa frigideira agarrando o Wiimote como se fosse a pega deste utensílio. No gume oposto da faca estão alguns mini-jogos que simplesmente não funcionam como é suposto devido a uma deficiente resposta dos controlos: nenhum passo que requeira a mistura de líquidos (mexer ovos, mexer um tacho com a colher…) resulta como a descrição sugere, descascar batatas e cenouras é na maior parte das vezes um verdadeiro inferno e a preparação de certos alimentos (sobretudo lulas e certos peixes) pode não ser sempre concluída por um atraso na resposta aos nossos controlos. Estes defeitos podiam perfeitamente ter sido resolvidos com um pouco mais de tempo de produção, sendo que acabam por prejudicar a experiência de jogo. E infelizmente, estes não são os únicos aspectos negativos em Cooking Mama.

Embora as 55 receitas constituam um volume aceitável de conteúdo, quando comparadas com as 76 disponíveis na versão DS acabam por saber a muito pouco. Numa tentativa de compensar a falta de receitas, a Office Create incluiu dois modos inexistentes na versão DS: ,Friends and Food of the World, em que temos de competir contra cozinheiros (virtuais) na confecção de pratos dos seus países de origem para, em caso de vitória, desbloquear vários acessórios de cozinha (muitas vezes banhados a ouro) ou, em caso de derrota, ganhar um acessório decorativo com o qual é possível adornar a cozinha de Mama; e ,Friends and Food, em que dois jogadores competem entre si, em split-screen, na confecção da mesma receita. Este pequeno esforço dos produtores ajuda a aumentar a longevidade do título, mas não chega para nos fazer esquecer um defeito tão facilmente evitável.

As outras falhas mais flagrantes dão-se ao nível da apresentação do jogo. É bem sabido que a Wii não é um portento tecnológico mas, quando os produtores querem, conseguem puxar a consola a níveis muito acima da geração das 128 bits (basta verem vídeos de Super Mario Galaxy para terem bem uma noção do que digo). Nesta aposta da 505 Games pretendia-se um aspecto simples e obteve-se um grafismo que, embora seja simples e, até certo ponto, cativante, roça de vez em quando o simplório. Há pormenores bem conseguidos, mas acredito que a DS era capaz de obter rendimento muito similar para a maior parte dos mini-jogos. A nível sonoro, tirando as irritantes exclamações de Mama num franco-hisp¢nico-inglês medonho (,I ÚÄòélp oi!), há que destacar pela positiva as agradáveis melodias de fundo e os efeitos de som bem conseguidos.

Cooking Mama é uma aposta engraçada, divertida, despretensiosa, capaz de divertir e entreter durante algum tempo. O look ,doce consegue conquistar-nos, mas alguns pormenores ,margos fazem com que esta pareça ser uma obra incompleta e apressada. Podia ter sido uma refeição completa num restaurante de luxo mas, tal como está, é apenas uma refeição num estabelecimento de fast-food: agradável, mas sabe a pouco.

  • Gráficos: ★★½☆☆
  • Jogabilidade: ★★★★☆
  • Som: ★★★☆☆
  • Longevidade: ★★★☆☆
  • Total: ★★★☆☆

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