Depois de Wii Sports, a Nintendo volta a surpreender os consumidores com um software simples, atractivo, intuitivo e que volta a envolver o corpo. Wii Fit é a nova proposta da companhia e pretende ser tão ou mais revolucionária como as anteriores. É completamente diferente de qualquer outro jogo no mercado e traz consigo um novo acessório, a Wii Balance Board, uma tábua de equilíbrio que permite que o controlo das situações virtuais seja feito com todo o corpo. É tentar elevar a fasquia da interacção física nos jogos, cujo limite foi definido pela própria Nintendo. O propósito principal de Wii Fit é descarado, tal como o título sugere: colocar os seus utilizadores em forma. A Nintendo idealiza um jogador com pés e cabeça: se Brain Training e os seus parentes pretendem estimular a mente, o novo conceito de jogo, associado à tábua de equilíbrio, promete fazer o mesmo com o corpo.

Antes de mais, apresentemos a Wii Balance Board. Ela não perde oportunidade para o fazer, assim que iniciamos o jogo (e aproveita todos os pretextos para aparecer e deixar algumas dicas sobre hábitos saudáveis), mas registamos o que ela não diz a ninguém e que é importante saber: a sua extrema sensibilidade é surpreendente, tornando-a numa peça de hardware muito precisa; está ,dividida em duas partes, uma para cada pé (apesar de ser possível enganar o software e jogar com as mãos, em muitas situações, tornando o seu domínio mais fácil); é alimentada através de quatro pilhas convencionais, que podem durar até sessenta horas; como é branca e requer movimentação de pés, que muitas vezes são posicionados no solo, convém colocar uma manta ou um tapete de ginástica a servir de base.
Após introduzirmos a altura, nos submetermos a um teste para a medição do nosso índice de massa corporal e passarmos por alguns exercícios que irão colocar à prova o nosso equilíbrio, somos confrontados com a nossa idade Wii Fit e seleccionamos o género do nosso treinador, que será útil para explicar a execução dos exercícios e para avaliar a nossa performance, motivando constantemente e corrigindo as falhas cometidas. Só depois acedemos aos menus de selecção de exercícios (mais de quarenta, no total), que se dividem em quatro tipos, a saber: yoga, musculação, aeróbica e minijogos de equilíbrio.
Os exercícios de yoga e musculação (ou tonificação) são os que requerem mais esforço físico. São variados e cumprem a sua função e as explicações do software são essenciais para uma postura e execução correctas. Como são poucas as pessoas que conhecem este tipo de exercícios, é nestes dois grupos que Wii Fit pode ser mais útil, ensinando como se faz, corrigindo e pontuando cada prestação. Mais tarde o utilizador até se pode tornar independente da Balance Board, mas esta é, sem dúvida, uma competente professora.
A compilação de actividades de aeróbica é menos exigente, fisicamente. No entanto, o utilizador mais empenhado pode cansar-se tanto como nas outras modalidades, principalmente se recorrer ao step e ao modo avançado do Hula Hoop. O leque de exercícios é menos variado que os anteriores e pecam por alguma repetição, mas conseguem ser quase sempre divertidos. Por todos estes motivos, são acessíveis à generalidade das pessoas lá de casa.

O grupo dos minijogos contempla as actividades mais variadas. Alguns são mais difíceis do que outros e requerem alguma técnica (como o das plataformas com orifícios, para onde devemos encaminhar as bolas) e o grau de diversão é também variável, como seria de esperar (Hula Hoop e o jogo de pesca com o Mii-Pinguim são exemplos de jogos divertidos em grupo, enquanto o de (não) apagar a vela está no lote dos menos entusiasmantes). Este é o conjunto que garante algumas reuniões de pessoas em torno na Balance Board, quer seja por competição ou apenas para apreciar as ,ctuações de quem sobe para o acessório. Podemos incluir também aqui alguns exercícios de outras secções, como o Hula Hoop (Aeróbica): provem que têm mais técnica, mantendo alguma eleg¢ncia na execução, ou sejam alvo das gargalhadas da audiência, pela forma tosca como tentam dominar o exercício.
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[...] Até há bem pouco tempo, o estereótipo do típico jogador correspondia, entre outras características não importantes aqui para o caso, a uma figura de porte baixo e massa corporal considerável. No entanto, a pouco e pouco vamos assistindo ao esvanecer desta concepção generalizada. A meu ver, há dois grandes responsáveis por tão incrível mudança: a abertura do mercado a novos públicos, iniciada pela PS2 e prolongada esta geração pela Nintendo e suas rivais; e Wii Fit. [...]