Tudo sobre a Nintendo em Portugal.

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Defend Your Castle

Bruno 18 de Setembro de 2008

Pontuação:★★½☆☆

Defend Your Castle

A Nintendo afirma que o WiiWare é a plataforma ideal para que equipas com baixos orçamentos desenvolvam os seus projectos, que poderão assim gozar de uma notável visibilidade, não fosse a Wii a consola da actual geração com a mais extensa base de utilizadores. A XGen Studios encontrou aqui uma oportunidade para dar um novo alento, e audiências, ao seu popular browser game, Defend Your Castle. A premissa não poderia estar mais condensada no título: o jogador assume a régia tarefa de resguardar o seu castelo de peculiares invasores, que aparentam ter saído de uma qualquer aula de trabalhos manuais de um infantário. Num serviço que parece primar, na maioria dos casos, pela publicação de conteúdos de curta duração por cerca de 1000 Wii Points, a XGen promete diversão desde o primeiro minuto e até quatro jogadores, por metade do preço habitual. Mas será que o download merece o preço ou deve o jogador ficar pela versão gratuita?

Quem jogou o original que não se deixe enganar: a estrutura de jogo mantém-se, o Wiimote substitui o rato, adicionou-se um modo cooperativo. Ah, o jogo passou a ser pago. O primeiro assalto revela uma renovação visual. Talvez ,reciclagem seja a palavra mais indicada, já que as cabeças dos inimigos aparentam ser feitas de botões de camisa, alguns transportam paus (de gelado?) com o objectivo de abalroarem o portão do nosso forte e os mais temíveis lembram os tripods do filme ,A Guerra dos Mundos, mas com materiais retirados de vasilhames de Pepsi. Os impertinentes homens-botão não sangram, uma vez estatelados no solo, ao contrário do que acontece na versão original. Um aspecto muito mais ao estilo Nintendo e que acaba por revelar algum charme, tendo em conta todas as mudanças no apartado gráfico. Os cenários são simples e despidos, mas a palete de cores é mais viva e variada e introduziram-se alguns efeitos climatéricos no campo de batalha.

Defender o castelo não implica delinear qualquer tipo de táctica elaborada, suportada por planos B e C, caso alguma coisa corra mal. O rei apenas tem que obedecer a um trio de simples rotinas. A primeira resume-se à morte a tudo o que se mexe. No inicio apenas podemos agarrar nos inimigos, posicionando o cursor sobre os seus ,botões e arremessa-los em altitude, para que o posterior contacto com o solo faça o trabalho sujo. Por cada morte coleccionamos pontos, que servem de moeda de c¢mbio nos intervalos entre níveis, onde acedemos à tal oficina de trabalhos manuais (que a minha imaginação associou a um jardim-escola). Aí podemos, por exemplo, restaurar as muralhas do nosso lar, apetrechar uma das torres com material balístico ou comprar um balde de tinta azul onde podemos converter os elementos hostis (converter, na linguagem do jogo: pintar o estranho da cor da nossa equipa; não requer qualquer tipo de diálogo e argumentação). Existem mais algumas armas de defesa (e ataque) que o jogador cedo irá descobrir. Por fim, regressamos ao nosso castelo, uma vez que se inicia uma nova investida de botões de camisa, e gerimos os nossos recursos, angariando novos súbditos, que poderão desempenhar a função de arqueiros ou até morrer pela causa, como verdadeiros kamikazes. Aparentemente este esquema tem as condições necessárias para divertir de forma descomprometida, conferindo simultaneamente algum cálculo e estratégia à experiência. Esta última parte estaria correcta, não estivessem as poucas opções para melhoria do castelo disponíveis desde o início, por quantias de pontos que facilmente se acumulam em alguns níveis. Uma vez apetrechado com todos os artigos da tal oficina, resta ao jogador sobreviver a investidas, nível após nível, numa guerra que só encontra tréguas na queda do castelo ou na desistência do jogador. Esgota-se a novidade, num jogo que teoricamente não tem fim.

Para além da melhoria gráfica, a possibilidade de se recorrer a vizinhos aliados (até três, que não serão mais do que amigos ou familiares) permite prolongar o interesse pelo jogo durante mais algum tempo, enquanto existirem dúvidas quanto ao comandante mais eficiente. A nível sonoro pouco há a destacar, uma vez que rapidamente os sons de corpos esmagados e explosões suicidas se tornam irritantes. Durante as investidas não existe música, situação que acaba por dar ainda mais destaque a gritos de desespero, de ambos os lados da TV.

Defend Your Castle não se apresenta com pretensões de ocupar uma posição de referência do catálogo de jogos para o WiiWare. A ideia é interessante e existe uma matriz que pode ser trabalhada para uma sequela, mas o jogo, tal como se encontra, acaba por ser demasiado básico e superficial. É divertido para curtas sessões, especialmente quando se juntam algumas pessoas, mas depressa cai no esquecimento da maioria. Nota positiva para o preço, que acaba por ser justo, ao contrário de vários outros jogos com os quais partilha espaço no catálogo. Se não estiverem com vontade de sair de casa para uma ida ao cinema, já viram todos os filmes de castelos medievais que arrumam na estante e não querem sair do sofá (considerando a alternativa gratuita para o PC), são cinco euros bem gastos. Dura o mesmo que um filme no cinema e podem dividir o preço entre quatro pessoas. Mas não terão vontade de investir muito mais num castelo com ruína anunciada, sem príncipes, princesas e um final feliz.

  • Gráficos: ★★★☆☆
  • Jogabilidade: ★★½☆☆
  • Som: ★★½☆☆
  • Longevidade: ★★½☆☆
  • Total: ★★½☆☆

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