LockÚÄôs Quest é espécie rara. Para além de se enquadrar num género de jogos que já teve melhores dias na indústria (estratégia), ainda o consegue alterar bastante. E isto porquê? Porque lhe adiciona elementos de aventura e RPG. A Nintendo of Europe disponibilizou uma demo de LockÚÄôs Quest no Nintendo Channel da Wii e o N-Portugal experimentou-o. Será a formula aromática ou explosiva?
Lock é o herói da história e vive com o seu avô Tobias e com a sua irmã mais nova Emi, numa pacata aldeia junto à costa. Tudo começa quando o seu avô Tobias, que é um Archineer (pessoas que constroem fortalezas), lhe pede para ir reparar algumas defesas da aldeia e levar a sua irmã consigo. De repente aparece um habitante de outra aldeia a pedir socorro por ter sido atacado por um grupo do, pensado já extinto, exército dos clockworks. Depois de uma extensa batalha, para os impedir de terem acesso ao poço de source (recurso usado pelo archineers para a construção de edifícios) da aldeia, decidem que o melhor é abandona-la, e aí apercebem-se da falta de Emi. Numa tentativa de a recuperar, Lock inicia-se numa jornada à sua procura, lutando contra os clockworks comandados por Lord Agony.
Quase toda a acção é controlada com o touch screen e, mesmo sendo este um jogo de estratégia, existem partes em que o jogador tem de controlar Lock pela aldeia, bem ao estilo de um jogo de aventura. No entanto, o grande foco da mec¢nica de jogo são as batalhas, e estas são divididas em duas fases: a fase de construção e a dita fase de batalha. Na fase de construção o jogador é convidado a preparar uma defesa à base de muralhas e canhões (com o avançar da aventura mais defesas vão sendo desbloqueadas) para proteger a aldeia dos exércitos de clockworks. Uma parte interessante da mec¢nica de jogo é o desbloquear de novas construções: durante as batalhas, por vezes os clockworks largam peças que depois o jogador terá de usar para montar engenhos de guerra seguindo o exemplo de imagens com estes já completos, bem ao estilo de puzzles. Depois temos a fase de batalha onde o objectivo é impedir que os exércitos inimigos penetrem sobre as nossas defesas. Aqui Lock pode dar alguma ajuda aos canhões através da luta corpo a corpo realizando alguns combos com o touch screen. Para além disto, é dever de Lock ir reparando as muralhas com um sistema idêntico ao dos combos na luta. As batalhas estão divididas por dias, cada qual com a devida fase de construção e de batalha. A cada dia que passa vão aparecendo mais e melhores inimigos. É possível que isto se deva à reduzida quantidade de edifícios disponíveis no inicio do jogo, mas ao terceiro dia a batalha já se começa a tornar repetitiva, aborrecida e rotineira.
No campo gráfico o jogo apresenta elementos bi dimensionais muito coloridos e detalhados sobre um mapa isométrico, também este muito bem conseguido. A interface de utilizador e os menus estão simples, fáceis de usar e bonitos. Esta última parte é crucial ao jogo, já que grande parte deste se desenrola à sua volta, não fosse este um jogo de estratégia com gestão e puzzles.
A ideia sobre o som que a demo passa a quem o joga é que não é tão positiva. As batalhas já eram longas, mas a música ainda as torna mais. Música no singular porque o demo só nos proporciona uma, e bem repetitiva. Os efeitos sonoros cumprem mas não impressionam.
A demo é longa, mas metade dessa longevidade é devido aos infindáveis tutoriais que o jogador tem de aguentar para avançar na acção. Por exemplo, primeiro é explicada uma função por texto, depois é exemplificada pelo CPU e só depois é que o jogador a pode experimentar. Isto multiplicado por muitas funções torna-se muito, mas muito chato.
LockÚÄôs Quest é um jogo do qual não se deve tirar uma conclusão certa, devido à complexidade que pode ou não vir a ganhar com o avançar da acção. A única que se pode mesmo é a que acabei de referir. As batalhas tanto podem manter a monotonia da demo como tornarem-se super interessantes com um vasto leque de construções ao dispor do aprendiz de archineer e herói da história, Lock.
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