Os jogos de ritmo sempre marcaram presença no mundo dos videojogos. Quem não conhece o Dance Dance Revolution ou a série Guitar Hero, por exemplo? Nos últimos tempos, este género tem vindo a evoluir de forma extraordinária, cativando jogadores, à partida inertes a manifestações deste tipo. Um caso bastante conhecido é o de Samba de Amigo, para a DreamCast. Numa altura em que o comando tradicional era soberano, o conceito foi recebido muito bem e o jogo tornou-se uma referência dos jogos de ritmo. Quando a Sega anunciou a sequela para a Nintendo Wii, os amantes da série, e não são, receberam a notícia com bom grado, pois o conceito parecia encaixar-se na filosofia da consola caseira da Nintendo. Mas será que a fórmula voltou a resultar, ou Samba de Amigo perdeu a alegria e divertimento do seu antecessor?
Passados alguns anos desde a sua primeira aparição, Amigo e os seus companheiros estão de volta numa nova aventura. Para quem não conhece, a premissa do jogo passa por agitar o Wii Remote, tal como se faz com as maracas, na posição correcta. Como seria de esperar, existem alguns modos, como o modo Clássico, Battle ou Survival. Existe ainda um modo de mini-jogos, que tanto podem ser jogados em single ou multiplayer. Nota-se que esta opção não foi muito estudada e que foi inserida um bocado para encher, pois tratam-se de jogos simples, sem grande contexto e em que a implementação dos controlos não é das melhores.
Num jogo em que a sincronização e precisão são essenciais, os comandos da Wii tomam um papel relevante e que pode mesmo ditar o sucesso do jogo. Samba de Amigo pode ser jogado com o Wii Remote e Nunchuck ou com dois Wii Remotes. Ambos os esquemas funcionam relativamente bem, exceptuando nos casos em que a dificuldade aumenta e em que a diversão se transfigura em tentativa frustrada de entrar no ritmo correcto. No entanto, e depois de algumas horas de jogo, é possível desenvolver certas técnicas que certamente aumentam a experiência.
Como é de senso comum, a jogabilidade toma também um papel importante no processo de sedução do jogador. E neste ponto o título não tem muito a dizer. Quer estejamos a jogar sozinhos ou acompanhados, as notas apenas aparecerão na metade esquerda do ecrã. Estas vão percorrendo desde a posição central até três posições possíveis: cima, meio ou baixo, onde temos de, respectivamente, abanar os comandos com os braços para cima, para os lados ou para baixo. Nas músicas de dificuldade fácil, apenas temos de o fazer numa posição de cada vez, mas à medida que avançamos no jogo, esta tarefa torna-se mais complexa. Existem ainda notas vermelhas, em que temos de agitar o comando de modo frenético, de modo a obter maior pontuação. Por último, falta referir as posses que temos de seguir quando aparece uma silhueta que se encontra numa determinada posição. Estas devem ser feitas o mais rapidamente possível, pois podem ser determinantes no ranking que obtemos no final.
Para aqueles que nunca jogaram, existe ainda um tutorial que explica os movimentos básicos. Apesar disso, este não se revela muito útil quando progredimos no modo carreira. Enquanto Samba de Amigo oferece uma experiência bastante divertida no modo fácil e médio, a paciência acaba por se esgotar no modo difícil. Todo o entretenimento parece desaparecer e o jogo torna-se numa autêntica tentativa frustrada de precisão absoluta, onde o erro não é admitido e todo o estilo de jogo desaparece. Falta saber se tal se deve à imprecisão do comando da Nintendo ou então à equipa de programadores, que se desleixou neste aspecto. Refiro-me a situações onde, por exemplo, o jogo reconhece um agitar de maracas quando, na realidade estamos a deslocar os braços da posição superior para a central. Por outro lado, grande parte das músicas e bónus podem ser desbloqueados sem acabar o jogo.
Outro dos aspectos mais importante é, sem dúvida, a música. E este é certamente um dos pontos mais positivos de Samba de Amigo. Como seria de esperar, as músicas têm uma sonoridade bem expressiva e tipicamente latina. Será difícil resistir aos ritmos quentes e que certamente conseguirão convencer qualquer um a agitar as maracas. Para além das músicas originais do seu homónimo para a DreamCast, foram adicionados alguns hits mais actuais e que todos nós conhecemos. Para aqueles que não se contentarem, é sempre possível descarregar novas músicas, em packs de três, através do novo serviço Pay & Play que a Nintendo lançou recentemente.
Como referido mais acima, a parte esquerda do ecrã está reservada às notas. Assim, no resto de ecrã podemos assistir a autênticas manifestações de euforia e animação. Arco-íris de cores e milhares de confettis enchem o ecrã, enquanto dezenas de personagens, tanto as intrínsecas do jogo como os nossos Miis, dançam e celebram em alegria conjunta. E neste ponto a Sega não desaponta, brindando o jogador com gráficos que não espantam, mas que enchem a vista, pelas suas cores vivas e animações.
Samba de Amigo pode não agradar àqueles que estavam à espera de grande inovação e precisão, mas grande parte dos jogadores irá gostar da experiência. Apesar da adaptação inicial revelar-se difícil, os modos fácil e médio cativam bastante e proporcionam grande divertimento. Para não escrever que este jogo é mais um complemento ao cabaz de jogos casuais para a Wii e se os controlos tivessem sido aprimorados, talvez com o uso do Wii Motion Plus, Samba de Amigo poderia ter igualado, ou até mesmo superado, o seu antecessor.
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