Para o fã de SimCitys, a série parou na sua 4ª entrega, SimCity 4, o último produzido pela Maxis. Curiosamente ou não, desde então a série só tem regredido. A Nintendo DS já vai na segunda dose de Presidentes da Câmara virtuais e, apesar de eu não ter jogado a primeira, a julgar pelas imagens, este não parece introduzir grandes novidades. O que será que podemos esperar deste SimCity? Teremos em mão mais uma franchise da EA congelada na mediocridade? Ou será que este volta aos tempos de triunfo do clássico da Maxis?
Ao ligar a consola, o jogador depara-se com o início de uma música que, caso tenha jogado o SimCity 3000, lhe trará à memória um dos melhores jogos de gestão e simulação de toda a história dos videojogos. Infelizmente, a relação com esta melodia não passa das cinco primeiras notas musicas e rapidamente se transforma numa muito mais banal e monótona.
Os SimCitys de Will Wright (tal como outras das séries do criador) sempre foram conhecidos por não terem um fim definido. Em Creator isso já não acontece. O modo Challenge desafia o jogador a viajar no tempo e a começar tudo do inicio. Não do inicio de uma cidade, como costuma ser habitual, mas do início da humanidade em si.¬à A primeira etapa consiste em construir as primeiras habitações e os primeiros campos agrícolas e na domesticação de animais para a sobrevivência da população da nossa pequena aldeia, situada no tempo na pré-história. Uma funcionalidade muito interessante que se pode encontrar neste SimCity é a possibilidade de sair à rua e contactar com os aldeões, de modo a sabermos a sua opinião acerca da aldeia e ouvirmos as suas críticas para que esta melhore. As falas dos inquiridos mudam consoante a época em que estamos a jogar. Na pré-história, o inglês usado é muito simples e arcaico. Quando se avança para a época renascentista alguns habitantes falam sobre os ideais e a cultura daqueles tempos. Se o jogador não achar grande piada ao renascimento, pode optar por uma Åsia antiga, cuja característica principal são os incêndios que, quando alastram, podem queimar muitas dezenas de edifícios. Para avançar no tempo há que cumprir um valor pré definido de população total da povoação governada. A dificuldade e complexidade do jogo vão aumentando à medida que se vai avançando, os habitantes vão-se tornando mais exigentes e novos edifícios vão sendo introduzidos. É de referir a preocupação do jogo com as questões ambientais: pessoas de idade a dizer que ,Hoje em dia o Verão é frio e o Inverno é quente é uma realidade em SimCity Creator que certamente já muitos ouviram na vida real. Ao longo do jogo estão disponíveis vários tipos de separadores para mudarem a interface de utilizador: o principal que, infelizmente, é o único onde o tempo do jogo avança, o das opiniões dos sims que habitam a nossa terriola, o das finanças, o das estatísticas, o das opções e o para salvar o jogo. Ao longo da viagem pelo tempo, o jogador é introduzido aos novos edifícios que vão sendo desbloqueados por uma versão, metade MySims, metade manga japonês, de Will Wright. Há dois edifícios novos em Creator que vale a pena destacar: o posto de correios e a necessidade de construir um terminal de autocarros antes de começar a espalhar paragens pela cidade.
Para salvaguardar o progresso no jogo estão disponíveis duas slots, o que não é um mau número, tendo em conta que uma cidade de SimCity é algo complexo e vasto. O que é mau é o tempo de espera até que o jogo fique guardado: aproximadamente 45 segundos.
A estrutura de menus não é muito feliz. Em vez de uma opção para save e uma para load, a malta da Hudson optou pelas opções Free Play e Challenge. Dentro de cada uma dessas opções pode-se escolher entre New Game ou Continue. O problema centra-se no facto de que se escolhermos, por exemplo, Free Play e seleccionarmos uma slot que tenha um Challenge guardado, o jogo não arranca. É certo que a experiencia de jogo não muda por isso, mas revela alguma falta de cuidado por parte da equipa de produção.
Partindo do princípio que a DS tem capacidades mais que suficientes para correr um SimCity 3000, o campo gráfico está mal explorado, havendo ainda alguns problemas de fluidez incompreensíveis, como por exemplo, quando há muitos edifícios no mapa, a navegação neste torna-se imprecisa e pouco fluida. O visual está montado num campo isométrico com os elementos representados a duas dimensões (sprites). Alguma vida na cidade também teria sido bem-vinda. Uns automóveis de quatro ou cinco pixels seriam suficientes.
Já em relação ao campo sonoro, os menus são animados com algumas das fantásticas músicas de SimCity 3000, o que, mais uma vez, traz grandes memórias à cabeça. Os temas que podem ser ouvidos no jogo em si só mudam de época para época, o que os torna muito cansativos e repetitivos, mesmo sendo de boa qualidade. Os efeitos cumprem.
Mesmo tendo objectivos definidos, este SimCity não dispensa o modo Free Play, o que lhe proporciona uma longevidade quase infinita, já que não há duas cidades iguais.
SimCity Creator também teve direito a uma passagem pela Wii. No entanto, a sua versão portátil é claramente superior e mais profunda, muito devido ao avançar na História mundial que não está disponível na versão Wii. É ideal para quem gosta de estratégia e gestão, tem uma DS e costuma jogar em viagens ou momentos mortos. Tem as suas falhas, principalmente a nível visual, mas é uma agradável experiencia que acaba por deixar os fans agarrados. Tem também alguns momentos em que a cultura geral do jogador é posta à prova, o que torna este SimCity um pouco educativo sem que tenha como esse o seu objectivo final.
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