Atenção: Este título é recomendado para pessoas frenéticas, incapazes de parar um segundo ou que queiram perder uns quilos em pouco tempo. Este jogo faz suar!
Recomendações: Após quatro horas de jogo seguidas, toma um banho.
Contra-indicações: Pode causar cansaço, suores, e alguma frustração. Agora sim, vamos lá iniciar a análise.
(Mas a minha tentativa acima de ser engraçado não é de todo estapafúrdia.)
Lançado um pouco antes para XBOX 360 e PS3, este é um jogo de boxe no estilo arcade com um ar divertido e aspecto toon (semelhante a desenhos animados), por isso podes esperar por caras deformadas (como o nome do jogo apela), olhos trocados, ganchos capazes de fazer um dos olhos ficar sobressaído e o outro para dentro, entre outras imagens cómicos usadas normalmente em animações americanas. Apesar do aspecto, Facebreaker recebeu algumas críticas num ponto específico quando saiu para as consolas concorrentes, a dificuldade elevada, ao ponto de existirem comentários como ,té os jogadores hardcore viciados em dificuldades elevadas acabam por desistir de terminar. Felizmente também comentavam que a versão para a Nintendo Wii, que estaria a ser produzida de raiz para a consola, teria em conta as queixas do exagerado grau de dificuldade, ao reduzi-la um pouco. O que até convinha, já que nesta versão os jogadores se cansam mais ao agitarem os comandos (em vez de carregarem freneticamente em botões).
Por esta altura as minhas expectativas eram mais positivas, graças aos bons gráficos para a consola, a uma banda sonora atractiva e a um estilo simples e divertido. O jogo só podia ser fenomenal! Já com K.O. Party nas mãos, a primeira impressão foi relativa aos menus, de estilo simples e atractivo. Também os sons e músicas estão sem dúvida muito bem escolhidos e trabalhados e os vários personagens que demonstram muita personalidade, cada um com o seu próprio estilo, atributos e fraquezas. Veja-se o exemplo de Romeo, um latino com ar de engatatão que desperta a vontade de lhe partir a cara toda só para não se armar em bom (talvez seja um pouco agressivo, é melhor continuar a análise).
Acedi ao Brawl for it All, modo para um jogador onde o objectivo é basicamente derrotar todos os personagens, vencendo vários torneios, ganhando os cintos de cada competição e desbloqueando conteúdo como níveis e personagens. É de notar que, como é comum em vários jogos, os loadings são aproveitados para dar dicas aos jogadores, uma boa prática, já que resulta numa excelente forma de fazer com que o jogador leia como se joga sem ter que visualizar um manual completo. Iniciei-me com o Ice. Era o primeiro na lista e como boxer pareceu-me equilibrado, ao contrário do Brick, por exemplo, que tem músculos maiores que a cabeça e que parece não saber onde está, apenas sabe que tem de arrebentar tudo à pancada, entre outras características.
É necessário jogar com o Nunchuk conectado ao Wii Remote e um movimento rápido com qualquer um dos comandos produz Jabs, ataques rápidos mas pouco eficazes. Um movimento rápido de baixo para cima com o pulso realiza um ataque mais eficaz mas mais lento. Permite também que o personagem se defenda. Usando o botão B e fazendo um Jab desencadeia um ataque para baixo (normalmente para o estômago, dependendo do tamanho do rival). Acertar várias vezes seguidas no oponente sem ser atingido faz com que uma barra de ataques especiais vá enchendo e, logicamente, quanto maior o nível na barra, mais forte é o ataque especial. Estes são denominados de Breakers e para os realizar é necessário carregar no botão A enquanto se faz um Jab. No entanto, existem formas de bloquear ou impedir estes poderosos movimentos e, em caso de sucesso desta última acção, efectuar um contra-ataque.
Quando o nosso personagem fica K.O. contra um último adversário de cada torneio/cinto, surge um mini-jogo onde o objectivo é acertar em passarinhos (feios como tudo) para tentar repor a barra de saúde ao máximo (existe um tempo limite e acertar em todos restaura a 100% a energia). O mini-jogo até pode ser indicado para os comandos da Wii, mas isso não faz dele uma boa ideia! Apesar de perceber que a ideia é eliminar os passarinhos que vemos enquanto estamos tontos e até ganhar consciência, não tem piada e gera uma quebra no ritmo do jogo.
A forma de jogar torna-se repetitiva, ao contrário do jogo de boxe do Wii Sports, que permite uma verdadeira estratégia de movimentos muito realistas (sim, eu estou a comparar o primeiro jogo da Wii com um título recente). K.O. Party é também incrivelmente desequilibrado e sem dúvida muito injusto. Se dizem que esta versão é mais fácil, então não quero imaginar as outras.
Fiquei com a sensação de que é mais eficaz abanar freneticamente os comandos enquanto se carrega nos botões à sorte do que definir uma verdadeira estratégia, pois quando tentava jogar racionalmente perdia, mas quando jogava aleatoriamente (e enquanto tinha forças) ganhava. E foi então que a frustração começou a surgir, visto que no dois últimos cintos/torneios, o cansaço de agitar os comandos era ligeiro mas o grau de dificuldade tinha vindo a multiplicar a cada nova luta. E quando perdemos três vezes contra um adversário, voltamos para o combate anterior e temos que o passar novamente… Felizmente descobri sem querer (por puro acidente) que se fizer reset ao jogo a contagem decrescente volta ao três e assim é possível evitar esse desconforto. Chega-se a um ponto em que os lutadores são tão roubados que até aproveitam bugs do jogo para nos tramar, como em momentos em que um ataque é efectuado após tocar o sinal para o intervalo e, quando o combate retoma, o ataque tem efeito (bem afastado do oponente) na mesma. O jogo consegue ser exageradamente difícil e, por muito que goste de desafios, isto é demais.
Quando decidi experimentar o modo multiplayer num jogo de 1 VS 1 estava muito confiante, já que conhecia todas as manhas do jogo. Joguei contra uma amiga que apenas tinha jogado na Wii uma vez na vida e perdi. Sim, perdi! Abanou tanto os comandos (mas tanto!) que transpirou logo no primeiro combate o equivalente a quatro horas do meu jogo. Bem, posteriormente acabei por ganhar mas foi aí que realmente percebi que este foi o título mais desequilibrado que joguei em 2008.
Em suma, Facebreaker K.O. Party é um jogo muito divertido para pessoas que queiram abanar freneticamente os comandos da Nintendo Wii, para se estar na sala a “dar porrada” nos amigos e para dar oportunidade de saborear vitória a todo o tipo de jogador, hardcore ou casual. No entanto, não esperem grandes estratégias ou um jogo de boxe sério.



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