Queridos leitores da N-Portugal, então que tal? Nós andamos do jeito que a Nintendo quer, entre os dias que passam menos mal, lá vem uma análise que nos dá mais que fazer… Foi em Dezembro que o recebi. Trazia na frente um microfone, no fundo do caixa um exemplar do jogo e dentro deste um poster da Natasha Bedingfield que nunca tinha encontrado. Eu estava livre, e havia uma noite para passar… A noite acabou. O jogo acabou. Terá ficado Boogie Superstar mais perto do céu que o seu antecessor, Boogie?
Nesta produção da EA desempenhamos o papel de alguém talentoso que, após rigorosas audições, garantiu um lugar numa competição de canto e dança, o concurso Boogie Superstar. Ä semelhança de uma miríade de outros programas do género, este serve de plataforma para uma carreira no impiedoso mundo do espectáculo. Mas as semelhanças não se ficam por aqui. No final de cada actuação, um júri (do qual consta o inevitável membro antipático, neste caso, uma rapariga chamada Vickie) comenta o nosso trabalho e atribui-nos uma pontuação de 0 a 10 (com casas decimais). É uma maneira interessante de enquadrar os elementos obrigatórios de um party-game desta índole, e que revela algum esforço por detrás da sua concepção. Infelizmente, nem todos os outros elementos revelam o mesmo engenho.

No nosso primeiro contacto com Superstar, temos de criar um perfil. Para tal, seleccionamos um de vários modelos pré-concebidos, mudamos um ou outro detalhe da sua vestimenta e partimos para a acção. O problema é que todas as opções ao nosso dispor são demasiado parecidas, rapazes e raparigas como os que se costuma ver num qualquer reality-show da MTV ou numa série/novela juvenil, ou seja, desprovidos de personalidade. Após criarmos um perfil, temos acesso a uma ,udição de cariz facultativo onde são explicados os conceitos básicos do modo dança. É um tutorial útil, que nos prepara fisicamente para a etapa seguinte: a acção propriamente dita.
Boogie Superstar está dividido em três modos principais. Em primeiro lugar, a Academia, onde podemos criar uma rotina de dança personalizada para uma determinada canção, treinar coreografias, consultar o nosso perfil, comprar packs de canções e gestos de dança e personalizar o nosso avatar. Esta personalização também pode ser efectuada num modo próprio: Camarim. Por fim, temos o prato principal (e que ocupa lugar de destaque no menu de jogo), Star Show. Nesta modalidade, ou treinamos mais um pouco antes do grande evento ou damos início às festividades/hostilidades: Showtime!
Até 4 jogadores podem juntar-se em redor da Wii e competir no concurso de talentos que dá mote ao jogo. É-nos então apresentado um conjunto com um máximo de três desafios, configuráveis a nosso gosto, dança ou karaoke, cenário da ilha tropical que servirá de background e selecção aleatória ou ponderada da canção a interpretar. E é neste último aspecto que as coisas se tornam feias…
Uma das características fundamentais num party-game é a sua acessibilidade, o entretenimento imediato que nos proporciona. Tendo isto em conta, é incompreensível a obrigatoriedade de termos de desbloquear mais de metade das canções disponíveis no DVD, algumas das quais inexplicavelmente só desfrutáveis no modo dança. Para piorar a situação, o custo dos packs de canções/movimentos de dança/novos níveis de dificuldade vai aumentando, obrigando-nos a jogar mais para acumular maior quantidade de Star Points. E como se tudo isto não bastasse, não podemos escolher as canções a comprar: só sabemos que os escassos dois temas musicais a desbloquear num conjunto pertencem a um de três géneros (Pop, Electro Dance e Urban). Esta tentativa de aumentar a longevidade fracassa redondamente e, na verdade, produz o efeito inverso ao pretendido.

Chegamos finalmente ao espectáculo em si. O karaoke consiste na habitual correspondência entre a nossa voz e uma série de barras que vão passando em rodapé, indicando o tom certo de cada expressão. A detecção de voz opera bem, ainda que nos modos de dificuldade mais elevada consiga ser excessivamente exigente e culmine em resultados finais frustrantes. O modo dança apresenta melhorias claríssimas em relação ao original. Com o Wiimote na mão direita, teremos de efectuar uma sequência de movimentos obedecendo sempre a uma determinada cadência (representada por uma bola colorida que oscila ritmadamente entre dois círculos azuis) e ficando sempre debaixo do foco de uma luz (usando as teclas direccionais do comando). Os únicos problemas que restam prendem-se com a resposta fraca a alguns dos gestos e, mais uma vez, a desmesurada exigência dos graus de dificuldade superiores.
Tecnicamente, é possível baixar este nível mas, em mais uma decisão mirabolante, somos penalizados na nota final se o fizermos. Parece ter havido muita preocupação com a manutenção de um estimulante factor ,desafio (sendo até possível complicar ainda mais uma performance, activando as armadilhas do elemento antipático do júri, Vickie, que dificultam o karaoke através de várias matranhas)… mas este não é, de forma alguma, um jogo que o requeira em tão grande dose. Jogos como Boogie Superstar exigem, para além de desafio, um ingrediente que curiosamente também começa pela quarta letra do alfabeto: diversão. E este tipo de decisões afasta-a da equação.

Em termos técnicos, Boogie Superstar está aceitável. O grafismo é simples, cartoonesco, mas bastante bem conseguido, sendo muito apelativo para a faixa etária a que se destina (embora, como dito anteriormente, não deixe de possuir modelos algo genéricos). A interface segue a mesma linha de simplicidade, com menus de navegação intuitiva. Já a componente sonora não é tão bem sucedida. A utilização de covers em vez das versões originais deverá ter poupado esforços à equipa legal da EA, mas algumas apresentam qualidade duvidosa. É ainda de estranhar a não inclusão da versão original do tema de Natasha Bedingfield, Pocketful of Sunshine, dado que foi esta a celebridade eleita para representar o jogo. Trata-se apenas de um detalhe, é certo, mas infelizmente não é o único: um floco de neve, por si só, é inofensivo, mas uma avalanche…
E assim, futuro que era brilhante embaciou-se a pouco e pouco. A saliva que nós gastámos para o mudar… mas esse seu ,mundo era mais forte do que nós. E nem com a força das reviews ele se moveu. Mesmo sabendo que não gostávamos, empenharam um título pouco mais que mediano. Peguei, joguei, meti-te na cesta. E depois do adeus… nada.
Canções utilizadas para a introdução:
Postal dos Correios, Rio Grande
Recordar é Viver, Vitor Espadinha
Canção do Engate, António Variações
Papel Principal, Adelaide Ferreira
Ficarei, Anjos
Canções utilizadas para a conclusão:
Futuro que era brilhante, Xutos e Pontapés
Anel de Rubi, Rui Veloso
Amor de Ågua Fresca, Dina
E Depois do Adeus, Paulo de Carvalho



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