Desde a primeira iteração sobre a série Bit Generations, Orbient cativou muitos jogadores japoneses enquanto o lançamento ocidental das obras simplistas com um estilo 8 bits era apenas uma miragem distante. Com a chegada do serviço Wiiware criam-se as condições para um remake da linha Bit Generations, agora com o nome de Art Style, e Orbient regressa num look minimalista que mantém toda a alma da série.
Com um sistema solar como cenário, o jogador controla um planeta que no início de cada nível se apresenta de tamanho mínimo em relação aos restantes corpos celestes. Toda a acção decorre em 2D e o jogador deverá absorver os planetas com proporções semelhantes, que se encontram de cor azul, até atingir uma certa quantidade que lhe permite ir consumindo outros corpos celestes. Conseguir engolir o sol do sistema solar em que se encontra é o grande objectivo.
O que parece simples em palavras torna-se por vezes uma verdadeira dor de cabeça em plena acção. O planeta desloca-se num plano através das orbitas dos restantes corpos, sendo que os maiores têm obviamente mais poder de atracção. Existem vários tipos de estruturas como buracos negros, que aspiram o jogador com uma força magna, asteróides, que divagam pelo cenário sem destino, e que podem ser apanhados na nossa própria órbita, , existem luas que representam um bónus de pontuação caso as consigamos meter a orbitar no nosso campo gravitacional, também resultará num bonito Game Over caso se propicie uma colisão com ela, e finalmente os planetas com os quais o jogador interage primariamente e que se apresentam em 3 cores: vermelho, azul e cinzento.
Os planetas azuis são os que podem ser absorvidos através duma simples colisão, os vermelhos são os maiores e que ainda não podem ser absorvidos, e portanto representam uma ameaça caso colidamos, e por fim os cinzentos, que se desintegram ao embatermos com eles. Nesta última situação, se o jogador se projectar numa boa rota conseguirá meter os planetas cinzentos mais pequenos a orbitar ao redor de si. Tudo isto com recurso à gravidade e anti-gravidade que o jogador deverá produzir ao premir A ou B, gerando assim campos gravíticos no seu próprio planeta que o atrairá para planetas ou repelirá. Tudo muito simples, mas de execução minuciosa e milimétrica.
Muitas são as situações em que manter o planeta em linha recta para colidir com outro planeta é uma tarefa para deuses, sendo que a cada colisão perde-se uma vida. Perder 4 vidas dá direito a assistir ao ecrã de Game Over. Ainda na lista de dores de cabeça, evitar choques com planetas enormes é por vezes impossível se andarmos a grandes velocidades dentro do sistema solar. Consequentemente, não teremos espaço suficiente para nos repelirmos e descobrir uma rota segura para evitar colidir com as dezenas de objectos no ecrã é um desafio enorme que poderá sugar facilmente a sanidade mental de muito jogador, principalmente nos últimos níveis.
Para um ambiente de concentração e jogabilidade tão tenso, a Nintendo resolveu optar por uma trilha sonora composta de temas relaxantes que se assemelham em tudo aos tons de música sacra e um visual limpo, consistindo apenas num leque de meia dúzia de cores com um efeito de profundidade a dar o toque final. É Ioga mental videojogável em todo o seu esplendor.
A obra não é nenhum portento de longevidade, acaba-se em cerca de 8 horas, e não tem nenhum tipo de conectividade online para leaderboards, mas com um preço de 600 Nintendo Points, Art Style: Orbient é das melhores ofertas do serviço Wiiware. Recomendável a todos, especialmente aos apreciadores de grandes desafios.
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