Anos antes de surgir toda uma parafernália de obras sobre os Templários, instigada pelo polémico O Código Da Vinci de Dan Brown, que tentou ressuscitar o interesse pelas histórias do Santo Graal e pelos mitos em redor da figura de Maria Madalena, para fúria de muitos católicos fervorosos – houve um pequeno videojogo que se manteve muito fiel às lendas dos famosos Cavaleiros, narrando uma história repleta de mistério, suspense, humor e uma pitada de romance.
Produzido nos estúdios da britânica Revolution Software, Broken Sword: The Shadow of the Templars viu a luz do dia no final de 1996, tendo sido recebido entusiasticamente por parte da imprensa e público. Treze anos e várias incursões depois, e numa altura em que o género das aventuras gráficas acorda dum sono profundo (como poderão constatar no We Speak desta semana!), a Revolution reedita o título que a catapultou para o sucesso, numa versão Director’s Cut pronta a arrebatar novos fãs e a reconquistar os antigos. Terá sido Broken Sword um mito urbano passageiro, ou será esta uma lenda para a eternidade?
Em Broken Sword: Shadow of the Templars, The Director’s Cut são contadas duas histórias em paralelo. Por um lado temos a narrativa original, na qual o jornalista americano George Stobbart vê as suas pacatas férias em Paris interrompidas por uma ensurdecedora explosão no café em cuja esplanada se encontra sentado. Intrigado pelo sucedido, o jornalista monta a sua própria investigação, acabando por se deparar com uma intrincada conspiração que remonta aos Cavaleiros Templários. Pelo caminho, encontra-se com a fotojornalista francesa Nicole Collard, protagonista da outra história – criada de raiz para este Director’s Cut. A perspectiva de Nico serve para unir algumas das pontas soltas do enredo, explorar certos detalhes do original e desenvolver o background da co-protagonista da saga. Os dois pontos-de-vista complementam-se muito bem, contribuindo para um todo mais heterogéneo, mas não menos coeso ou natural. Os fãs do original folgarão em saber que o sentido de humor e a magia dos diálogos mantém-se intocável e que os novos momentos narrativos não maculam os textos antigos, antes complementando-os e melhorando uma história já por si extraordinária. E para que ninguém perca o fio à meada, a Revolution incluiu um muito útil diário que resume os eventos mais relevantes por nós experienciados.
Os upgrades passaram também pelo campo dos puzzles. Para além dos clássicos ,inserir objecto X na ranhura Y, já presentes no original e que continuam a oferecer um grau bastante elevado de desafio, foi incluída uma série de novos puzzles, numa perspectiva da primeira pessoa, reminiscentes dos que podem ser encontrados em jogos como Zack & Wiki. O uso do Wiimote não é tão original como no título da Capcom, mas não deixa de ser muito eficaz e intuitivo. Muitos dos puzzles antigos foram totalmente reformulados para incluir esta novidade, o que decerto ajudará os fãs a superar o eventual tédio de repetir as mesmas secções de jogo. Ainda no campo das novidades, numa tentativa de agradar aos jogadores menos pacientes, poderemos contar com a ajuda de um bem pensado sistema de dicas que nos desencalhará em momentos de maior aperto. Quando o computador pressente que podemos ter problemas a resolver um puzzle, surge um ,? no canto superior esquerdo que, quando seleccionado, revelará a primeira dica de resolução, geralmente realçando um pormenor que poderá ter passado despercebido. Caso continuemos a ter dificuldades, podemos continuar a pedir dicas. Em caso extremo, é-nos fornecida a resolução completa do puzzle. A única penalização é sentida ao nível do orgulho pessoal, o número de vezes que recorremos a estas ajudas é contabilizado e apresentado no save de jogo.
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Muito bom texto, para não variar. Este jogo traz-me boas memórias em frente do PC. Talvez a série e o género ganhem novos adeptos com estas versões nas consolas em questão, se a publicidade ajudar.
Tu que gostas de números, como se está a sair o jogo nesta fala inicial de vendas?
10/05/2009 às 22:29
Nesses anos aureos dos point and click não cheguei a jogar este broken sword, mas joguei o 2 que era magnífico, ainda me lemnro que recebi-o como prenda de anos e só larguei o jogo quando o passei, aí 2/3 dias seguidos sem fazer mais nada senão estar ao pc, devia ter não mais que 13 anos. A tua review inspira-me a comprar este capitulo de broken sword que perdi dado que o titulo da capcom em nada me atrai…
Ainda se lembram de indiana jones and the fate of atlantis, ou lost in la ou porque não amazon guardians of eden…Ahhh velhos tempos em que um 486 era rei
11/05/2009 às 13:14
Qual titulo da Capcom, orochi? O Zack & Wiki?
23/05/2009 às 17:37
Obrigado, Bruno! ^^ De acordo com a própria Revolution, este Broken Sword está a ter vendas “bastante decentes”. Eles acreditam que, por ser um BS, vai continuar a vender bem com o passar do tempo.
Orochi, este Broken Sword é uma compra excelente para os fãs do género, mas olha que o Zack & Wiki, apesar do aspecto infantil, é um jogo de tremenda qualidade.
23/05/2009 às 20:38