Dezenas de sorrisos invadem um ecrã de grandes proporções e milhares de computadores pessoais um pouco por todo o mundo. Pessoas de todas as idades divertem-se com uma Wii ou com uma Nintendo DS, sozinhas ou acompanhadas.
“We promisse to keep the world smiling”, lê-se. Uma hora depois já a promessa tinha sido quebrada.
Quase um ano passou desde que uma parte importante de seguidores da marca Nintendo se vestiu de luto, após uma conferência desastrosa aos olhos de alguns média, trabalhadores da indústria e fãs. O microcosmos que é um pequeno fórum de um pequeno país com pouca expressividade no mapa global da Nintendo pode não ser a unidade amostral (e) representativa que permita grandes conclusões das sequelas da tão famigerada conferência na E3 de 2008. Mas uma análise que envolva outras variáveis (algumas delas já referidas) encaminha-nos sempre para o mesmo resultado: há uma grande descrença na Nintendo, que é encarada com desconfiança e de forma apática. A E3 de 2009 será crucial para que a companhia restabeleça relações com os espectadores.
Mas afinal, o que falhou?
Quase tudo.
Cammie Dunaway esforçou-se, mas a sua postura acusou falta de enquadramento num cenário que normalmente se quer sóbrio e com algum humor à mistura. Porque é possível. Foi corajosa ao subir para uma prancha de snowboard para substituir Shawn White e ao brincar com o seu novo, e imaginário, cachorro de estimação, a Peach (-,Oh go girl, go!). Mas os jogadores jamais conseguirão desassociar essas imagens a um evento que chega a envergonhar alguns. As colecções de gifs animados cresceram graças a Cammie, mas pelos maus motivos.
Reggie ostenta resultados de vendas. E outros resultados de vendas. Sem nunca esquecer mais resultados de vendas. Os jogadores desesperam por jogos.
E surgem então Animal Crossing: City Folk e Wii Music, que se revelam incapazes de roubar aos espectadores quantidades consideráveis de wows e palmas. Duas pistas: os jogos já eram conhecidos e não apelam a grande parte dos jogadores.
Mas verdadeiramente preocupante foi terem reservado para o fim o espectáculo em volta de Wii Music, que abriu com um baterista já celebrizado em imensos blogues e fóruns graças a humorísticos (/eufemismo) gifs e que terminou com Shigeru Miyamoto, Denise Kaigler e outros a simularem uma banda de música com os seus comandos Wiimote e Nunchuk.
Pareciam divertidos, é certo, mas provavelmente olhavam para um relógio estrategicamente colocado enquanto contavam o tempo que restava para abandonarem o palco. Sem preocupações com o rigor musical, que Wii Music não exige.
Pormenor: estes acontecimentos consumiram grande parte do tempo da conferência.

O que poderia ter corrido melhor?
Reggie consegue reservar alguns minutos para apresentar jogos cuja existência já se conhecia, se exceptuarmos casos como o do surpreendente Grand Theft Auto: Chinatown Wars para a DS. É certo que a única informação disponível se resumia a um logótipo, o que não impediu de ser mais aplaudido do que GH On Tour Decades, Spore Creatures, Pokemon Ranger, todos para a DS, e Star Wars, RRR TV Party, COD WaW, todos para a Wii.
A segunda grande novidade (a primeira vem mais abaixo) é o anúncio de que a comunicação por voz via online vai ser possível em jogos para a Wii através do Wii Speak. Apesar das desconfianças por se tratar de um microfone de sala, o acessório funciona e recomenda-se. Mas carece até hoje de jogos que o suportem, para além de Animal Crossing: City Folk. Felizmente há uma produtora externa que se preocupa em tirar partido do Wii Speak: The Conduit está mesmo a chegar.

O que resultou?
O discurso de Iwata, o interveniente que menos arriscou. Limitou-se a explicar o novo paradigma nos jogos de vídeo, enunciando e explorando superficialmente alguns dos fenómenos que o sustentam, sejam eles a longevidade comercial de vários jogos (os tais ,ever green), a sobreposição da jogabilidade e das boas ideias aos gráficos, a progressiva destruição da barreira psicológica entre jogadores e ,não jogadores ou o esbatimento das épocas sazonais em que o mercado se fortalece e vende, como o período natalício. E provou-o com dois grandes factos: Wii e Nintendo DS. Mas como o próprio Iwata assegurou, o perigo espreita à porta de quem se acomoda na indústria e é por isso que acreditamos que a próxima E3 deve ser surpreendente em várias frentes, incluindo a da empresa de Kyoto. É isso que todos esperam, mesmo que alguns não o assumam. Não acredito que alguém tenha perdido totalmente fé na Nintendo.
Reggie apresenta a novidade mais relevante de toda a conferência, o Wii MotionPlus, cujo benefício é o aumento de precisão das acções executadas através do Wiimote. Pelo meio solta o Reginator que há em si e vê nascer a Caminator, após um duelo de espadas entre um chefe e uma subordinada, numa das actividades no novíssimo Wii Sports Resort. Ok, este episódio esteve longe de ser brilhante. (E vivam os eufemismos.)

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