Art Style AQUITE acompanha a DSi no seu lançamento e pretende demonstrar a viabilidade do novo serviço de download de jogos da portátil. Com uma mecânica dos puzzles convencionais, um ambiente subaquático e algumas ideias arriscadas e originais, será que AQUITE se eleva como nenhum outro à superfície ou se afunda no vasto mar dos puzzle games?
Uma forma que controlámos, uma coluna subaquática constituída de blocos multicolores, um mergulhador que necessita de chegar ao fundo, dependendo por isso de oxigénio e da habilidade do jogador. Há que juntar três blocos de uma só cor, vertical ou horizontalmente, e almejar a combinações superiores, que aumentam a probabilidade de sucesso do mergulho. Porque o tempo não perdoa.
E aí reside o grande problema do jogo. Os puzzles são longos, como podem constatar pela profundidade de metros que o nadador tem de descer (exibe-se discretamente no lado direito com o propósito de informar em que fase do mergulho nos encontrámos) mas cedo começamos a sentir que perdemos a visão, defeito que detectamos no topo do ecrã superior mas que depressa se alastra para todo o campo jogável, para nos tornarmos alimento para peixe. A não ser que se reúnam e combinem três caixas com esferas brilhantes no interior – verdadeiras bolhas de oxigénio – repondo a claridade ao profundo azul marinho. Infelizmente, esta situação torna-se recorrente com intervalos demasiado curtos e as esferas de luz podem tardar imenso em aparecer. E é por isso que o pânico nos leva a recorrer a uma técnica que retira habilidade e mérito à conquista de um nível e adiciona aleatoriedade e sorte à equação. Em situação de ameaça vital, os animais recorrem a todo o tipo de soluções imediatas para garantirem a sobrevivência: em AQUITE, o instinto do jogador perante a eminência do Game Over coloca-o a tentar freneticamente combinações para que a tal bolha de oxigénio surja. Nem sequer vemos o que fazemos, apenas sabemos que a sorte nos pode salvar. E acabamos por nos sentir frustrados em caso de vitória ou derrota: na primeira situação porque a sorte foi determinante e na segunda porque as nossas habilidades de nada valeram, graças a um sistema de temporização ridiculamente exigente (e o raio da sorte também não ajudou).

Como é apanágio da linha Art Style, estamos perante um engenhoso, minimalista e desafiante quebra-cabeças. Este divide-se em três modos. O principal é o Interval Dive e está dividido em 10 níveis para cada uma das três formas que controlamos. E como cada uma delas requer uma estratégia bem diferente (obrigando a nova aprendizagem), temos um total de 30 níveis para explorar. Endless Dive, como o nome sugere, permite-nos jogar sem qualquer meta. Teoricamente, o modo não tem fim. Mas dois factos garantem-me que não é o caso: a) o mar tem fundo e b) o cronómetro de AQUITE é o vosso maior inimigo e acaba sempre por vencer. O terceiro modo pode ser a terapia para quem acaba de sofrer com toda a pressão que este jogo provoca, à medida que o ecrã se torna cada vez mais escuro. Aquarium não é jogável, mas é lá que se reúnem todas as formas de animais marinhos que adquirimos uma vez terminado um nível.
Inegável é o bom gosto na direcção audiovisual de AQUITE, ambientado por várias tonalidades de azul e elegantes linhas negras de extrema simplicidade e por uma banda sonora que mescla batidas retro com sons mais contemporâneos. Os menus são demasiado simples e escuros, mas o tema que sustenta o jogo torna-se autêntico, mesmo dentro de um estilo artístico nada realista.

Que fique claro: apesar das influências, estamos perante um puzzle game singular. O aspecto visual pode lembrar Electroplankton, a música parecer retirada de um jogo 8bit e dinamizada por sons consequentes das nossas acções – ao bom estilo Lumines – e a base jogável assemelha-se à de Bejeweled, mas a combinação seria brilhante, mesmo sem considerar as três diferentes formas de abordar as colunas de cores e as boss battles de fim de nível. No entanto, AQUITE acaba por ser vítima de um dos seus pilares: um impiedoso e exigente cronómetro. E é aqui que o jogo mete água.



Comentar?