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Tiro Neles 1 – Dormir com os peixinhos

João Rocha 1 de Julho de 2009

Tiro Neles 1 – Dormir com os peixinhos

Vários idiotas têm, ao longo dos anos desde o seu lançamento, afirmado peremptoriamente que Endless Ocean para a Wii não é “um jogo a sério”. Ou seja, que é aquilo que mal-e-porcamente se designa actualmente por um “não jogo”. Não sei que substâncias essas pessoas estavam a consumir, ou se estavam apenas a concretizar na sua imaginação a sua fantasia fanboyesca de associar a Wii a esses tais “não-jogos” (o que ainda fazem hoje em dia, anos passados). Em todo o caso, eu posso afirmar com grande autoridade que uma coisa é certa: Endless Ocean é um jogo.

E como é que eu sei isso? Porque o acabei, ora essa! Aliás, sou capaz de apostar o meu baço e metade do fígado que esses maravilhosos indivíduos (maravilhosos porque se não fossem eles, eu não tinha de quem gozar sem me sentir culpado) nem sequer tocaram em Endless Ocean com um pau de 6 metros. Viram uns quantos screenshots no Gamespot e logo traçaram o seu veredicto: não se mata ninguém nem se destrói nada, por isso não é um jogo.

Endless Ocean tem missões, objectivos, items desbloqueáveis e uma história (má, mas é o que é), e até mesmo créditos a rolar quando se chega ao fim, e eu tenho várias testemunhas. Tem gráficos e animações razoavelmente impressionantes, muito embora um realismo que tem a espessura de película aderente. Ora vejamos:

  • Passamos a maior parte do jogo a fazer festinhas em animais, muitos dos quais teriam grande prazer em arrancar-nos a mão à dentada. Apesar de pouco realista, isto é espectacular, porque faz o jogador sentir-se um verdadeiro garanhão destemido dos oceanos – uma espécie de Chuck Norris com barbatanas.
  • Da mesma forma, nunca vemos os ditos animais a fazerem aquilo que fazem melhor, que é comerem-se uns aos outros. Isto é que é pena, mas imaginem só o efeito que teria revelar às criancinhas que sim, na verdade, os nossos amigos golfinhos são predadores que caçam e comem peixe vivo e cru.
  • O nosso personagem mergulha a profundidades na ordem dos 150 metros como se nada fosse, quando na realidade um tal mergulho com o equipamento típico de “scuba diving” implicaria enormes riscos, cuidados e preparação.
  • Uma profundidade de 80 metros é considerada “abissal” e usada para ilustrar o habitat de animais que normalmente, na realidade, só se encontram a mais de 2000 metros de profundidade. Ooops.

Enfim, picuinhices, já que são concessões feitas no sentido do jogo ser divertido e interessante, o que é. Tirei muitas horas de divertimento relaxante das suas águas de azul profundo, onde a curta distância de desenho é, por uma vez na história dos vídeojogos, justificada. Só lamento a falta de tensão sexual entre o nosso mudo-mas-personalizável-e-provavelmente-gay protagonista e e sua hidrófoba assistente. Mas não se pode ter tudo na vida. E neste caso, o peixe já chega.

Talvez um dia, quando os senhores citados no princípio deste artigo se derem ao trabalho de retirarem do seu recto todos os exemplares das várias instâncias de FIFA e PES que nele guardaram ao longo dos anos, eles se apercebam disso.

Até mais, Endless Ocean – e obrigado por todo o peixe.

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4 Respostas

  1. Diogo Stuart disse:

    O artigo esta interessante, gostei :P Ja era tempo de escreveres qualquer coisa.

    O toque final do Hitchhikers Guide to the Galaxy esta excelente, adorei.

    PS: Por algum motivo estranho estou sem acentos…

    1/07/2009 às 19:55

  2. Bruno disse:

    Já faziam falta os textos do Myke, que ultimamente até escreve para a Smash! mas sobre temas que ainda não despertaram em mim qualquer interesse. :/

    Nos últimos dias lembrei-me particularmente deste (*olha eu a confirmar que é*) jogo, porque ainda não o acabei e isso está nos meus planos.

    O meu sentido crítico devia estar tão em baixo quando o joguei que nem questionei essa falta de realismo (a não ser o mais evidente: brincar com um tubarão e ficar seu amigo).

    Bato na mesma tecla: a sequela tem de ser traduzida para português pela Nintendo, é dos jogos cuja localização faz mais sentido.

    2/07/2009 às 2:47

  3. Diogo Stuart disse:

    Só traduzir? Era fazer uma versão com o mar nacional! Fazer festinhas à poluição e esgotos, a peixes e gaivotas, às algas em abundância, aos turistas que estão na praia, etc :D

    2/07/2009 às 4:14

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  1. Detalhes de Endless Ocean 2 | N-Portugal.com, Tudo sobre a Nintendo em Portugal 29/07/2009, 22:33

    [...] Uma música lendária do Círculo de fogo do Pacífico, a Dragon’s Song, esconde um mistério que aparentemente teremos que desvendar, o que nos leva a percorrer pelos diferentes mares do planeta. Segundo o IGN, as imagens da publicação japonesa revelam que parte da exploração será passada em cidades submersas, barcos naufragados e ruínas marinhas. Estes cenários e uma meta definida irão adicionar uma nova dinâmica à jogabilidade. Alguns críticos chegaram a afirmar que Endless Ocean não era um jogo por carecer de objectivos. Escusado será dizer que levaram um tiro. [...]

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