Chuvas de blocos multicolores, fazer linhas de três ou quatro, aliviar o ecrã de jogo eliminando os excessos, evitar a obturação que apenas conduz ao Game Over… Onde joguei isto antes? Meia dúzia de pixéis animam um canalizador italiano de farta barriga e carismático bigode, um elfo em resgate de uma princesa em apuros, um par de martelos maior do que os donos, que irrompem vigorosamente blocos de gelo rumo ao cume da montanha… Onde vi isto antes?
A Nintendo tem duas faces: a do interface acessível, das imagens simples mas funcionais, da jogabilidade intuitiva, da música de centro comercial – que facilmente comprovamos nas linhas Touch Generation! e Wii (Sports, Play, Fit e Music); a dos desafios épicos, dos power-ups de tamanho colossal (que até o cinzento e mais maduro Disaster: Day of Crisis não dispensa), das cores vivas, de sinfonias poderosas, do desafio progressivo e até do pixel, em pleno século XXI. Este lado da Nintendo será responsável por ter colocado o retro na moda com a Virtual Console, por pontuais elogios ao seu passado por entre abordagens mais arrojadas (Super Paper Mario), por manter intacta a fórmula de alguns clássicos (Fire Emblem), pela linha NES Classics para o Game Boy Advance, pela recente política de ressuscitar velhas marcas (Excitetrucks, Punch-Out!!) e pelos jogos Bit Generations, originalmente lançados para o GBA e nunca saídos do Japão. Até ao momento em que as plataformas de distribuição digital passam a ocupar um espaço importante nas consolas e o WiiWare abre a porta deste exclusivo japonês para o mundo.

No ocidente são conhecidos por Art Style e são autênticas peças retro arquitectadas em materiais contemporâneos. Prescindem do suporte físico para distribuição, optando pelos tais canais digitais. Com cinco puzzles no DSiWare e à espera do sexto, esta linha traz-nos um jogo que consegue ser tão “novo” e retro como Mega Man 9, mas superando-o largamente em originalidade. PiCOPiCT é uma verdadeira carta de amor ao passado da Nintendo e facilmente o melhor download para a DSi até ao momento.
Do topo do ecrã táctil caem inconvenientes e monstruosos blocos (os mega-pictos), que terão de ser cirurgicamente abordados através de pequenos quadrados (os pictos) de forma a que sejam eliminados e não cheguem a aterrar. Jogar com as cores é a chave para o sucesso, já que uma tonalidade em determinado número activa o desaparecimento de um grupo de blocos. No entanto, isto desencadeia também a queda abrupta das partes não afectadas, algo que é necessário calcular antes de qualquer intervenção. Ou seja, coloquem outros pictos à espera de fragmentos de megabits e podem fazer excelentes combinações, contribuindo para uma pontuação final superior. À medida que se desembaraçam de blocos, as cores por eles libertas dão vida a um ou vários personagens de um clássico jogo da Nintendo, dos tempos em que a NES imperava. Após preencherem o personagem com pictos, o nível acaba.

Findado o desafio, acedemos de imediato a outro, provavelmente mais difícil do que o anterior. Ganhamos também moedas (caso seja eliminado por completo um mega-picto), que poderão ser utilizadas para comprar temas clássicos e novos níveis (que são remisturas temáticas e bem mais complexas do que as normais). Estas moedas revelam-se ainda imprescindíveis quando necessitamos de ganhar espaço para acumular pictos. Passo a explicar: sempre que o ecrã fica obstruído, podemos clicar na tecla POW, que desencadeia o desmoronamento dos blocos e desimpede o caminho aos mega-pictos, caso o cenário actual assim o permita. Usar o POW tem um preço, o de ficar com menos um picto acumulado para uso imediato. E como PiCOPiCT requer destreza e velocidade, ninguém deseja estar na situação de ir ao cenário procurar um bloco para destruir outros, quando a precipitação de mega-pictos acelera. Além disso, se ficamos sem qualquer espaço para reservas, torna-se impossível utilizar o POW e o mais certo é o jogo acabar da mesma forma que termina TETRIS. Logo, é crucial reunir moedas durante um nível avançado se desejamos sobreviver, já que nos permitem “comprar” espaços perdidos. Reparem na coluna do lado esquerdo do ecrã inferior para perceberem um pouco mais do POW, dos espaços para pictos e das moedas.
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