Escrever sobre Boom Blox não é fácil. Por mais que se tente explicar como funciona e por mais vídeos que se exibam, este é um daqueles jogos que exigem um teste, não apenas por abordar de forma sui generis os jogos de puzzle e sociais mas também pelo esmagador peso da jogabilidade, a medula de toda a experiência. Após um moderado sucesso comercial do primeiro jogo e o aplauso da imprensa especializada, Boom Blox regressa com mais desafios, mais conteúdo e mais interacção. Será o suficiente para convencer quem resistiu ao original?
Não será, certamente, já que a barreira permanece: textos (como este) e imagens através de um monitor não fazem justiça ao conceito. É imperativo jogar. E este seria um dos produtos que melhor beneficiaria de uma demo gratuita e descarregável em qualquer Wii ligada à internet. Ou então de uma digressão por centros comerciais em que o Wii Remote seria colocado na mão do consumidor, à imagem do que a Nintendo fez com o Wii Sports. Mas a Nintendo promovia uma plataforma, não apenas um jogo e todos percebem imediatamente o apelo de um party game como esse: acções como a de jogar ténis utilizando o Wiimote como uma raqueta ou golf utilizando o comando como um taco não necessitam de ser explicadas aos consumidores. E apesar da ideia de destruição ser familiar a qualquer ser humano, como é que rebentar com cenários de blocos pode ser the next best thing para a Wii? Recorrendo novamente ao marketing da Nintendo, há que jogar para crer. “Playing is believing.”

Para quem jogou o original, Bash Party é Boom Blox em esteróides. A equipa de produção descarregou paletes de blocos para edificar centenas de novos níveis, acrescentou novos instrumentos (como a fisga, que peca pelo pouco rigor na utilização) e objectos (como os blocos virais, que infestam os seus vizinhos e desencadeiam explosões), melhorou as ferramentas de criação e partilha de níveis (plenas de opções, mas acessíveis à maioria dos utilizadores) e concedeu ao multijogador uma nova vida (quer seja através de modos onde vence quem mais destruir ou em desafios por turnos onde sai derrotado o responsável pelo colapso de um edifício).
Para quem estranha o conceito, o objectivo comum a todos os níveis é destruir todos os blocos (ou quase todos, já que existem excepções) com o menor número de jogadas possíveis. A forma como o fazemos, o tipo de cenário e as limitações impostas é que tornam cada cenário num desafio único. E única é também a forma como o abordamos, já que raramente existe uma receita exclusiva para resolver um puzzle. Está garantido o espaço para a criatividade, estimulada com medalhas quando somos bem sucedidos. E coleccionar medalhas de bronze, prata e ouro não apenas permite desbloquear mais conteúdo como seduzir o jogador a voltar ao mesmo cenário e tentar uma pontuação superior, já que quase sempre fica a sensação de que se pode fazer um pouco melhor.

O multiplayer, ao contrário do que sucede com outros jogos sociais para a consola, permite o acesso imediato aos cerca de 400 puzzles para competição ou cooperação, rejeitando por isso a recorrente norma que implica jogar no modo individual para ir desbloqueando novos níveis. Isso acontece em Bash Party, de facto, mas apenas afecta o conteúdo do single player. Para as festas aí em casa já está pronto a servir.
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