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Dead Space: Extraction

Rodrigo Dias 8 de Novembro de 2009

Pontuação:★★★★☆

Dead Space: Extraction

Conhecem aquela sensação algo peculiar de receberem uma prenda boa, mas que pouco ou nada corresponde à que queriam? É exactamente essa a impressão que envolve Dead Space: Extraction, uma obra indesejada (coffshooteronrailscoff)… mas de muita qualidade.

Esta prequela do muito aclamado – mas não particularmente bem sucedido – Dead Space mostra-nos o que levou aos eventos retratados nas consolas HD. A remoção de uma estrutura conhecida como Red Marker (marcador vermelho) leva ao enlouquecimento da população da colónia espacial mineira Aegis VII. Segue-se uma misteriosa infecção alienígena, incansavelmente combatida pelo grupo de sobreviventes que controlaremos. Cerca de oito horas depois, tudo fará sentido, e esta aparentemente desconexa premissa ter-se-á revelado muito bem explorada – destacando-se a ausência praticamente total de cutscenes (a narrativa mescla-se com acção destacando-se, tal como no original, o encontro de pequenos diários escritos e narrados que nos ajudarão a melhor compreender a contaminação de Aegis VII e da nave Ishimura).

Dead Space: Extraction não é um título inovador – ainda mais tratando-se de um shooter on-rails - mas é extremamente eficaz. Por caminhos e perspectivas pré-definidas, ocasionalmente desembocando em ramificações que nos dão alguma liberdade de escolha (decisões que não passam do simples “esquerda, frente ou direita?” e que em pouco alteram o rumo da história), teremos de matar hordes de alienígenas, recorrendo às diversas armas que vamos encontrando pelo caminho – utensílios da actividade mineira, ou armas da força de policiamento. Tal como em Dead Space, o objectivo primário não passa pela obtenção dos míticos headshots, mas antes pelo desmembramento dos inimigos, único método capaz de os parar. Cada arma possui duas formas alternativas de disparo, correspondentes aos posicionamentos horizontal e vertical do emissor IV do Wiimote. O conhecimento e boa utilização dessas formas será indispensável ao longo dos muitos confrontos, garantindo desmembramentos mais céleres.

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A telecinesia regressa também, estando atribuída à tecla A e servindo para pegar e/ou arremessar contentores (com explosivos, munições ou diários de bordo) e, nas secções de gravidade zero, navegar de plataforma em plataforma. No Nunchuk recaem 4 tarefas – recarregamento da arma (Z), disparo de munições que abrandam o movimento dos inimigos (C), troca de arma (botão analógico) e golpe melee (agitar do comando). Já o agitar do Wiimote, em certas situações literalmente mais obscuras, activa a pequena luz verde do “Glow Worm” – única novidade na versão Wii face à sequela: Extraction não inova muito; mas recicla, reinventa e executa muito bem as mecânicas apresentadas em 2008.

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Essa eficácia transita para o aparato tecnológico. Salvo algumas texturas mal conseguidas e modelos de personagens mais infelizes, o motor gráfico é muito bem aproveitado, com especial ênfase nos efeitos de luz e sombra. Fazendo-se acompanhar de uma direcção artística cuidadosamente trabalhada, Dead Space: Extraction é um dos títulos visualmente mais impressionantes na consola da Nintendo. O mesmo se aplica ao departamento sonoro – o som (neste caso, sobretudo o silêncio) é usado apropriadamente para criar momentos de grande tensão. O voice-acting é de grande qualidade e os muitos e variados usos da pequena coluna de som do Wiimote deixam-nos sempre maravilhados.

Pena é que esse maravilhamento não dure muito. O modo single-player, como é apanágio no género, é muito curto. Infelizmente, o foco na história acaba por fazer do multiplayer um modo bastante desinteressante o que é, no mínimo, grave. Há extras – nomeadamente a versão narrada da BD Dead Space – mas não chegam para justificar tão caro investimento.

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Um investimento caro, num género que apela sobretudo a um público menos experiente, numa franchise que é popular junto de um público mais experiente. No fundo, é um tiro ao lado – um FPS ou, como no original, um shooter de terror na terceira pessoa constituiriam tentativas mais frutíferas. Mas é um tiro ao lado muito bom.

  • Gráficos: ★★★★½
  • Jogabilidade: ★★★★☆
  • Som: ★★★★½
  • Longevidade: ★★½☆☆
  • Total: ★★★★☆

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