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Resident Evil: The Darkside Chronicles

Francisco Fidalgo 6 de Dezembro de 2009

Pontuação:★★★★½

Resident Evil: The Darkside Chronicles

Numa rota um pouco atribulada entre géneros, desde survival horror, passando pela acção e agora shooter on-rails, alguns podem afirmar que Resident Evil é um franchise quase em fase de estagnação, mas não é esse o caso com o último esforço da Capcom com a série na Wii.

Resident Evil: Darkside Chronicles remexe mais uma vez com o enredo da corporação farmaceutica Umbrella, desde o primeiro título da série, passando por Code Veronica, por Resident Evil 4 e ainda adicionando novos detalhes ao já extenso conto de terror videojogável. Chris, Veronica, Krauser e muitos outros – uns velhos, outros novos – estão presentes. E ainda não é desta que Wesker morre.

Através de um sistema on-rails, o jogador apenas vê o jogo num percurso pré-definido, como se estivesse a viver o momento em primeira pessoa. E é aqui que a mecânica brilha, ao contrário do que sucede em outros títulos do género na consola. Vendo apenas o cursor para onde queremos disparar, é a nossa tarefa eliminar toda e qualquer monstruosidade que nos apareça no ecrã, desde animais mutantes a autênticas aberrações e até bosses em proporções épicas. Armas e respectivos upgrades não faltam e são estes itens que, aliados à jogabilidade, prendem-nos (a nós e a quem nos acompanhar em multiplayer) durante horas na aventura guiada Capcom.

Para esta sequela de Umbrella Chronicles foi desenvolvido pela Cavia um motor de jogo muito impressionante e que manifesta um trabalho bastante competente em termos de tecnologia gráfica assim como de direcção de arte, reflexos nas superfícies e nos personagens, fumo, fogo, texturas e efeitos de luz quase inacreditáveis para a Wii, características que elevam Darkside Chronicles a um dos títulos com melhor grafismo na consola, senão mesmo o melhor. Aliando estes factos a um enredo empolgante com muitas cenas em CGI, um ambiente bem assustador, movimentos de câmara completamente realistas e meticulosamente trabalhos e que nos imergem totalmente para dentro do ecrã, temos sem dúvida um dos melhores esforços na máquina Nintendo. Como cereja no topo do bolo, o jogo utiliza o motor físico Havok, ou seja, rebentem com quase todos os objectos que vos apetecer no cenário, desde panelas a brinquedos, cofres, luzes, cadeiras, mesas e poderão ser recompensados com dinheiro que vos servirá para evoluir o arsenal e comprar outros itens. Caso fiquem sem munições, hora de agitar o Wii Remote pressionando um botão para distribuir golpes de faca – com um bom reconhecimento da direcção do corte – ou afastar zombies quando estes nos agarram, despoletando o último caso uma manobra de arte macial extravagante, numa câmara em terceira pessoa e resultando num monstrengo completamente chacinado, num momento de videojogo muito cinemático, bem ao estilo Chuck Norris. Para os verdadeiros entusiastas que queiram aproveitar mais a jogabilidade, há ainda suporte ao Wii Zapper, não melhorando nem prejudicando a experiência.

No departamento de queixas dirigidas à Capcom, apenas há que reclamar do frame rate, que por vezes sofre algumas quebras, algo que, numa produção gráfica do género, é bastante compreensível. Menção honrosa para a secção Operation Javier, presente ao longo do jogo, que está simplesmente extraordinária e que nos exibe verdadeiramente o potencial da Wii.

Mas nem todo o esplendor do jogo reside no que os olhos vêm. Temos ainda uma trilha sonora e trabalho de vozes bastante competentes, que também elevam os padrões de qualidade do produto final. Até o pequeno e humilde speaker do Wii Remote é habilmente usado com sons de carregamentos de armas, deslocações de ar ao disferir facadas e até mesmo um macabro tom de selecção de menus, cuja apresentação também é de alto nível, primando pela fluidez e fazendo lembrar uma animação flash bastante pomposa, onde poderemos regular a nossa configuração de botões preferida, som, dificuldade, aceder aos bónus que desbloqueamos através do jogo e ainda um ranking online das melhores pontuações. Esta última característica incentiva-nos a voltar novamente a um determinado nível e, caso isso não seja só por si aliciante, há caminhos múltiplos por explorar. O jogo não dura para sempre mas também não peca por longevidade. Há ainda um modo surpresa ao finalizar-se a aventura pela primeira vez, no qual temos de impedir que uma horde de personagens carismáticos oriunda de episódios do passado da série nos… ataquem? Verão por vocês próprios.

Resident Evil: The Darkside Chronicles é sem dúvida um dos grandes títulos de 2009 na Wii, uma opção obrigatória para qualquer amante de matança virtual e até mesmo para quem já possua os melhores títulos on-rails da plataforma. Uma aventura guiada simplesmente fenomenal para um jogador, e completamente viciante em multiplayer.

  • Gráficos: ★★★★★
  • Jogabilidade: ★★★★½
  • Som: ★★★★½
  • Longevidade: ★★★½☆
  • Total: ★★★★½

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