Enquanto o mundo actual se manifesta em relação à reciclagem, a Nintendo lança um shooter on-rails destinado ao Wiiware com o mesmo propósito moral, onde não falta lixo repetitivo para estoirar ao ritmo pouco fascinante dum enredo praticamente inexistente. É assim como 530 Eco Shooter se apresenta depois de feito o download e sacrificados 1000 Wii Points.
Entrando no dito cujo, damos com uma apresentação simplista onde uma voz estridente, ao estilo Saylor Moon, nos anuncia “ECO SHOOTER”, acompanhando um título de arte duvidosa e os dois únicos menus disponíveis: jogar e opções.
No menu das opções poderão calibrar a posição do pointer de infravermelhos, verificar o ranking de pontos que obtêm em cada nível. Sente-se a falta de uma opção para desligar o som, o que seria uma mais-valia, tendo em conta que Echo Shooter é, neste departamento, completamente desastroso, ao ponto de se assemelhar a toques polifónicos de extremo mau gosto.

Iremos ora então defrontar uma pouco emocionante horda de latas voadoras semi-assassinas e trazidas ao mundo dos vivos pelos Cannoids, raça alienígena que invadiu a terra, transformando toda a tralha metálica em inimigos. Cabe-nos a nós dar cabo dos seres metálicos e limpar o mundo só porque sim. Fim.
Falhando em envolver-nos desde o início num jogo com um ambiente 3D vazio e com uma direcção de arte extremamente repetitiva, Eco Shooter, vem desprovido duma jogabilidade interessante ou recompensadora, onde jogadores munidos de um personagem quase mudo e poligonal, da sua Recycle Gun e uma paciência de santo, encontrarão autênticas matilhas de latas voadoras que não ladram, mas ao menos poderiam fazer um qualquer som metálico. Mas nem isso. Animações toscas de “latas com vida” também estão no cardápio.
Atirar contra as pobrezinhas com um botão, resulta na “morte” das mesmas, e de tal macabra acção resulta o aparecimento de uma aura que deve ser aspirada pela nossa implacável Recycle Gun com outro botão, de modo a obter “bateria” para disparar. Releiam a última frase cinquenta vezes e aí têm a única coisa que farão durante 3 pesarosos níveis.
Passadas cerca de duas horas e 3 ridículos bosses, chegarão sem dificuldades ao fim do jogo e obterão o derradeiro prémio que vos fará chorar e voltar por mais: os créditos do staff Nintendo e Intelligent Systems.
530 Eco Shooter é um shooter on rails, género bastante polémico na Wii por falta de público e saturação, e desenrola-se com base num enredo pouco convincente. Mais valia nem sequer existir e apresentar-se como um jogo puramente arcade, sem grandes complicações narrativas. Piorando ainda mais a situação, apresenta um grafismo que, apesar de aceitável para um título Wiiware, aparecem-nos sob uma direcção de arte e design de qualidade questionável para os padrões Nintendo, onde não falta muita confusão de polígonos voadores, especialmente nas lutas contra os bosses no fim de cada nível, nos quais os pontos fracos estão praticamente imperceptíveis e a fluidez de acção é inexistente. A câmara mexe roboticamente, as latas voam, a arma dispara, a arma aspira. Repeat.
É claramente destinado ao público mais jovem que quer ter algo para andar sempre em frente e dar uns tiros, porque fisgas e pedrinhas já passaram de moda. Por 1000 Wii points não é de todo um título recomendável nem para os fãs do género.



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