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Just Dance

Tiago Babo 11 de Fevereiro de 2010

Pontuação:★★★½☆

Just Dance

Nos últimos anos, os jogos de dança têm sido sinónimo de Dance Dance Revolution, título popularizado pela Konami. Em 2007, a Wii recebeu uma versão desta franchise, apesar de praticamente não usar os sensores de movimento do duo Wii Remote e Nunchuk. Mais recentemente, a Ubisoft lembrou-se que a dança não passa só pelos tapetes e que é possível dar mais liberdade ao jogador, fazendo-o esquecer-se que está a jogar e que o corpo é o limite. Daí nasceu Just Dance, um conceito bastante simples e nitidamente feito a pensar no jogador casual, ou mesmo naqueles que nunca jogaram.

Tudo foi simplificado em Just Dance. Não é necessário instalar qualquer periférico extra, nem é preciso qualquer tipo de requisito para jogar uma das 32 músicas disponíveis até 4 jogadores em simultâneo. E se chegarmos atrasados, podemos sempre entrar a meio da música! Basta agarrar no Wiimote (tendo sempre em atenção se a pulseira está no local devido) e começar a dançar. Ou talvez não. Como em qualquer actividade física, aquecer e alongar é sempre importante. Foi por isso adicionado um menu de aquecimento, em que somos convidados a copiar os movimentos de uma das várias dançarinas que figuram durante as músicas.

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Depois disto, estamos prontos para brilhar. A ideia é de fácil compreensão – reproduzir, da melhor maneira possível, os passos do dançarino que aparece no ecrã. Bastante simples, não? E deveria ser, se todos os movimentos que fazemos fossem reconhecidos. Depois de ter experimentado o jogo com várias pessoas, e algumas delas a imitar as coreografias satisfatoriamente bem, cheguei à conclusão que o jogo peca gravemente nesse sentido. O mais estranho é que até lida bem com os famosos testes da sacudidela, mas quando toca a reconhecer uma sucessão de passos, o sistema parece congelar. No modo Quick Player o problema até não atrapalha muito a experiência, mas nos outros dois, a conversa é diferente. Em Strike a Pose é suposto pararmos quando a nossa barra de pontuação congela e dançar no caso contrário. Por mais que se tente ficar parado, o sistema acaba sempre por reconhecer movimento. A única explicação que encontro para tal é o facto de haver uma espécie de desfasamento temporal, apesar de não conseguir confirma-lo. Em Last One Standing o caso é igualmente preocupante. Visto que temos apenas 7 vidas e que por cada movimento errado nos é descontada uma, é quase impossível conseguir acabar uma música sem perder. E o que me intriga ainda mais é que mesmo falhando 40% da música, conseguimos obter uma pontuação de ouro e que excede a barra de progressão de pontos.

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Se me perguntassem qual é o objectivo de Just Dance, a minha resposta seria: boa pergunta! A resposta mais óbvia que daria: divertirmo-nos a dançar com os amigos. Porém, e depois de ter dado voltas ao jogo, a solução mais próxima de objectivo que encontrei foi: dançar todas as músicas e conseguir obter uma pontuação superior a 10000 em cada uma. Isto porque o único sistema de monitorização presente guarda a pontuação mais alta de cada música e, nos casos em que obtemos pontuação de ouro (superior a 10000 pontos), coloca uma moldura dourada no ícone da música.

Visualmente, não há muito a dizer. Os menus, o fundo e as paletes de cores são bastante primitivas e não se destacam. Os dançarinos estão normalmente vestidos com algum elemento que remete para a letra da música, os seus movimentos estão bastante fluidos e o efeito de néon que os envolve captam a atenção do jogador. Em relação às coreografias, a Ubisoft está de parabéns. Para além dos dançarinos dançarem exemplarmente bem, os passos de dança são divertidos, variados e relacionam-se em grande parte com o estilo da música.

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Já a nível sonoro, o jogo agrada a quase todos os públicos. Passando por temas intemporais como “Fame” (In the style of Irene Cara (cover)), “U Can’t Touch This” (MC Hammer), “Heart of Glass” (Blondie) ou “Who Let the Dogs Out?” (Baha Men), temos ainda a oportunidade de dançar sons mais recentes, como “Hot N Cold”, da Katy Perry. Só para exemplificar, nesta última música a dançarina apresenta-se vestida de noiva, tal como acontece no videoclipe da música original. Já em “Who Let the Dogs Out?” somos presenteados com o figurante vestido de cão.

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Não há muito mais a dizer sobre Just Dance. A falta de online e de uma campanha singleplayer sólida, a impossibilidade de se fazer download de novas músicas ou um sistema de reconhecimento mais trabalhado tornam-no um produto demasiadamente simplificado. Apesar dos dançarinos estarem com bom aspecto, de proporcionar bons momentos quando jogado em multiplayer local e de as músicas apelarem nitidamente a toda a gama de idades, há ainda muito a trabalhar para que se torne num jogo com objectivos e que não se resuma a uma colecção de videoclipes interactivos. E aqui verifiquei um dilema bastante interessante. O meu olhar clínico assegura-me que o jogo é tecnicamente mau, mas os membros do meu corpo dizem-me que é divertido. Qual deverá ser a preponderância de ambos os aspectos na nota a dar ao jogo? Acabei por chegar a um consenso, na medida em que decidi enfatizar o factor diversão, a par dos outros aspectos típicos. Sim, Just Dance é divertido!

  • Gráficos: ★★½☆☆
  • Jogabilidade: ★★☆☆☆
  • Som: ★★★★☆
  • Longevidade: ★½☆☆☆
  • Total: ★★★½☆

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2 Respostas

  1. Valter disse:

    Olá Tiago, ótima análise…

    O jogo realmente tem algumas falhas no reconhecimento, mas ainda assim é diversão garantida. Estou ancioso por uma nova versão com novas músicas… Faltou Madonna e Michel Jackson no repertório!

    Garanto de que depois desse jogo, tem muito vizinho e amigos loucos para ter um Wii.

    15/02/2010 às 17:59

  2. Tiago Babo disse:

    Olá, Valter! Sim, o jogo ainda tem muito para evoluir, quer a nível de setlist, quer no mecanismo técnico.

    E não duvido que proporcione grande diversão em festas e haja mesmo gente a comprar uma Wii só para o poder jogar!

    15/02/2010 às 18:30

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